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Linguagista

Definição: «esquadro»

Há sempre quem veja

 

      Ó senhores dicionaristas, então que nome dão ao que está na imagem, podemos saber? Eu e muita gente — incluindo quem os vende — damos-lhe o nome de esquadro. Ora, os nossos dicionários dizem que esquadro é apenas um instrumento para traçar ou medir ângulos. Só o Aulete contempla esta acepção: «Peça de chapa, em forma de esquadro, que liga dois perfis, duas peças ou duas superfícies que fazem ângulo entre si, e que mantém fixo este ângulo». Seria de chapa há cinquenta ou setenta anos; agora, como se vê na imagem, pode ser de madeira (o da imagem é de faia) ou de metal.

 

[Texto 15 768]

esquadro.png

As preposições «sob» e «sobre», a trapalhada

Tudo como dantes

 

      «Foi depois de se reformar do Arquivo Nacional Torre do Tombo que Madalena Garcia dedicou os últimos 10 anos da sua vida a transcrever os ‘Diários’ de António Oliveira Salazar. São 13 mil dias na vida do ditador português entre 1933 e 1968 que revelam o seu dia-a-dia. A arquivista decifrou a letra “complicada e difícil” com que Salazar apontava, sobretudo as “funções governativas”. Nas mais de 6500 páginas manuscritas, “a parte de caráter pessoal é residual”, diz a estudiosa que trabalhou o Arquivo Salazar, em grande parte de vida, sobre sigilo. [...] Exatamente. Era a condição. Só dois ou três anos depois de eu lá estar é que foi criada a Comissão do Livro Negro do Fascismo. O professor Fernando Rosas e o Dr. César de Oliveira, porque pertenciam a essa comissão, tinham acesso, mas era uma coisa a título excecional. Não havia, mesmo da parte de ninguém da Biblioteca Nacional acesso. Era um trabalho sobre sigilo» («O que dizem os Diários de Salazar?», Maria João Costa, Rádio Renascença, 10.12.2021, 19h41).

      Eu apostaria que o erro — erro crassíssimo — é, em ambos os casos, da jornalista Maria João Costa, mas, evidentemente, não posso pôr de parte a hipótese de pelo menos um ser da ex-arquivista.

 

[Texto 15 767]

Léxico: «bárea | clarinha | enxerta | bravo»

Não é nenhuma surpresa

 

      No sábado, vi os minutos finais do programa Faça Chuva, Faça Sol, na RTP2, que era sobre a castanha e o castanheiro. Lembrei-me então de ver se a Porto Editora define claramente souto e castinçal. Assim-assim. Claro seria dizer que souto é o pomar de castanheiros-mansos, ou seja, o povoamento plantado tendo em vista a produção do fruto. Quanto a castinçal, é o povoamento de castanheiros-bravos, também chamados castinceiras, para produção de madeira — em talhadia, com o aproveitamento das varas que rebentam após os cortes e em que o objectivo é a madeira de pequena dimensão, ou em alto-fuste, em que as árvores são geridas para a produção de madeira de grandes dimensões. Aproveite-se a oportunidade para dizer que os nossos dicionários não registam o nome de algumas variedades de castanhas, como bárea, clarinha ou enxerta, bravo...

 

[Texto 15 766]