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Linguagista

Léxico: «vaginose | na ordem do dia»

Em inglês é que eles sabem

 

      «Chamado de “gusset”, pode não ter pensado muito nele no passado, mas ao que parece o gusset é uma parte muito importante da roupa interior. Com a maioria da roupa interior feminina a ser feita de materiais sintéticos como a renda, a parte que encaixa na vagina é normalmente feita de algodão – um material mais respirável. Como resultado, é capaz de absorver a humidade mais eficazmente do que os seus equivalentes sintéticos, diminuindo as hipóteses de desenvolver uma infeção. [...] É devido a este acúmulo de suor que o nível natural de PH [sic] da vagina pode flutuar, aumentando as hipóteses de condições como infeções, UTIs e vaginose bacteriana» («Eis para que serve aquele bolsinho nas suas cuecas», Women’s Health, 14.12.2021).

      Mas em português não se diz entretela de reforço? Estes plumitivos implumes... Bem, ao que interessa: «Queria pesquisar vacinose?» É bem verdade que, com a pandemia, a vacinose, doença causada pela acção de uma vacina, está mais na ordem do dia. (Também devias dicionarizar o sentido figurado desta expressão.) E confundirem vagina com vulva também não deixa de ser estúpido.

 

[Texto 15 781]

«Classificar de»

Ou queria enganar-nos

 

      Quem é que nos disse aqui que não se escrevia assim? Estava enganado, evidentemente. «A base XXVI mostra que aquele eminente académico (ao qual me referi na 1.ª carta) que classificou de agressiva a minha crítica ao Vocabulário da Academia foi injusto» (Estudos Críticos de Língua Portuguesa: As Bases da Ortografia Luso-Brasileira, Vasco Botelho de Amaral. Lisboa: Livraria Bernardo, [1948], p. 42).

 

[Texto 15 780]

O moral e a moral

Condenados a não saber II

 

      E depois aparecem aqueles que julgam que já perceberam tudo e escrevem assim: «O moral desta triste história, etc.» Estes (no caso, era um tradutor) não têm emenda. Irremediável. Confundindo tudo, até são capazes de me responder que eu ou outra pessoa qualquer lhes dissera que era assim, donde se conclui que são maus alunos a vida inteira.

 

[Texto 15 779]

Léxico: «dispositivo»

Condenados a não saber

 

      «A magistrada admitiu que há Estados que aceitam a tradução de apenas uma pequena parte das decisões, o chamado “dispositivo”, que resume a pena aplicada por cada um dos crimes (se forem mais do que um), a legislação aplicada e a pena final» («Rendeiro pode ser libertado antes de extradição chegar à África do Sul», Sónia Trigueirão e Mariana Oliveira, Público, 15.12.201, p. 14). E isto está nos nossos dicionários? Não está! Encontramo-lo nos dicionários publicados no Brasil, não nos nossos. Já temos sorte não estar apenas num bilingue — Urteilsformel.

 

[Texto 15 778]

Léxico: «conta(s) de merceeiro»

Gostava de saber

 

      «Vamos fazer estas contas de merceeiro, por exemplo, no caso de um restaurante dentro de um centro comercial (mais à frente vou-lhe apresentar um caso concreto com números)» (Descubra o Milionário Que há em Si, Pedro Queiroga Carrilho. Alfragide: Lua de Papel, 2011, p. 139).

      Curiosamente (anomalamente), só temos a expressão conta de merceeiro num dicionário bilingue da Porto Editora, «μπακαλίστικος λογαριασμός». (Quase a propósito: muito gostava também de saber como traduziriam/adaptariam a expressão idiomática castelhana truco del almendruco.)

 

[Texto 15 777]