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Linguagista

Léxico: «áudio»

Mas que técnicas?

 

      «O desafio já tinha sido lançado em 2019 por cientistas da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), mas volta a ser feito neste Verão. Se ouvir o canto de uma cigarra, grave um vídeo ou um áudio e, juntamente com a localização GPS, partilhe esse registo na plataforma Biodiversity4All» («Ajude os cientistas a descobrir onde andam as cigarras em Portugal», Ana Francisca Gomes, Público, 10.07.2021, p. 49). Não é impressão, é uma certeza: é a acepção de áudio mais usada actualmente. Mas não está nos nossos dicionários! A Porto Editora, por exemplo, diz que é o «conjunto de técnicas usadas no registo, reprodução e transmissão do som». Pois, pois.

 

[Texto 15 787]

Léxico: «amansardado»

Agora até mais usada

 

      Outra que anda por aí desde o século XIX e que, no entanto, ainda não chegou a todos os dicionários: «A malaposta [sic] de Chaves passara-lhe em tempos à porta; a casa era de meio solar, agigantada, o telhado amansardado muito carregado de cal, na face corrida repuxavam-se, como única fantasia, as varandas de ferro verde-negro» (As Relações Humanas, Vol. 1, Agustina Bessa-Luís. Lisboa: Guimarães Editores, 1964, p. 31). É que os telhados amansardados, genuinamente franceses na sua génese, nunca estiveram tão na moda entre nós como agora.

 

[Texto 15 786]

Léxico: «fodilhão»

De todos os dias

 

      «O comunista é um homem novo e eu era um gajo anarca, era um gajo cadastrado, fodilhão de miúdas, essas merdas todas...» (O Crocodilo que Voa, Luiz Pacheco. Lisboa: Tinta-da-China, 2008, p. 98). Usada todos os dias em toda a geografia lusófona, das conversas de café, entre amigos, à mais alta literatura, mas não está no dicionário da Porto Editora. A não ser num bilingue, Ficker. Só mais um exemplo, para ficar bem assente: «— Vai levar no cu, fodilhão sem picha» (Myra, Maria Velho da Costa. Lisboa: Assírio & Alvim, 2008, p. 194).

 

[Texto 15 785]

Léxico: «fazer uma perninha»

Tem de estar no sítio certo

 

      «Mas o que fiquei sem saber é se foi ainda em Lisboa ou já em Angola que o Medeiros entregou, ou ao Herberto Helder ou ao José Sebag, que também tinham ido até Luanda fazer uma perninha colonialista, uma pasta com os versos que afinal, sempre a fingir que não, tinha mesmo escrito» (Partes de África, Helder Macedo. Rio de Janeiro: Editora Record, 1999, p. 125). Se não encontrarmos estas expressões nos dicionários, onde as vamos procurar, nas bulas dos medicamentos?

 

[Texto 15 784]