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Linguagista

Variante ómicron — pois claro!

Um em mil

 

      Eis, finalmente, alguém que sabe pensar ou, pelo menos, seguir os bons conselhos: «A variante ómicron do coronavírus SARS-CoV-2, responsável pela covid-19, correspondia anteontem a 46,9% dos casos e deverá tornar-se dominante nesta semana, estima o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), que assinala o seu crescimento exponencial» («Variante ómicron passará a dominante nesta semana», Alfredo Maia, Diário de Notícias, 22.12.2021, p. 6).

 

[Texto 15 800]

Léxico: «caixa regaleira»

Ninguém sabe

 

      Quer dizer, nenhum dicionário o diz: «Um moscatel que iria certamente muito bem após a refeição num serviço de loiça Vista Alegre do filme. A fábrica de loiça teve uma colaboração com The King’s Man – O Início, tendo concebido esse serviço de loiça em exclusivo, mas entretanto lançou três peças com elementos em ouro que podem ser adquiridas nas lojas da marca e online: uma pistola (edição limitada a 399 exemplares, custando 400 euros cada), um vide-poche (190 euros) e uma caixa regaleira (135 euros)» («Um moscatel raro e peças exclusivas para celebrar a chegada de The King’s Man», Sofia Fonseca, Diário de Notícias, 22.12.2021, p. 30, itálicos meus).

 

[Texto 15 799]

 

Definição: «comprovante»

Agora é do outro lado, no Estadão

 

      «O governo federal atendeu à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e editou ontem uma nova portaria, publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), que oficializa a necessidade de comprovante de vacinação contra a covid-19 para a entrada no País, tanto por meio aéreo quanto terrestre» («Governo publica nova portaria com passaporte da vacina e quarentena», Eduardo Gayer e Sandra Manfrini, Estado de S. Paulo, 21.12.2021, p. A16). Comprovante de vacinação — ou seja, Porto Editora, comprovante não é somente, como afirmas e nós acreditávamos piamente, o «documento que comprova a realização de uma despesa; recibo».

 

[Texto 15 798]

Léxico: «orlagem»

Eles sabem sempre

 

      Há empresas, de norte a sul, que fazem corte à medida e orlagem de madeiras. Sabias, Porto Editora? Nunca lhes ocorreu, como sucederia com qualquer escritor inseguro ou escrupuloso, se os dicionários acolhem a palavra — isso interessa? Não é isso que fazem, guarnecer de orla, debruar madeiras?

 

[Texto 15 797]

«Línguas Bântu»?!

Imagino os outros

 

      «Com uma extensão de mais de 800 mil quilómetros quadrados, não é de estranhar que Moçambique também albergue uma grande diversidade demográfica e linguística, referindo-se em geral a existência de cerca de 20 línguas da família das línguas Bântu, autóctones» («A vitalidade do português de Moçambique», Margarita Correia, Diário de Notícias, 20.12.2021, p. 26). Mas que é isto?! Se Rebelo Gonçalves já dizia de «bantu» que era «forma inexacta», o que diria deste abstruso «bântu»? Persignar-se-ia. Como eu o faço. Quando vemos que é uma professora e investigadora da língua portuguesa a escrever desta maneira, mais nos surpreendemos. Agora imagine-se o resto da população.

 

[Texto 15 796]