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Linguagista

Léxico: «franquia»

Isso é outra coisa

 

      «Pagou 30 euros, a franquia (valor a cargo do segurado) por cada ocorrência (consultas de urgência, cirurgias e internamentos) ou sinistro. “O Thor, ao ser atropelado pelo carro, também sofreu ferimentos numa pata e esteve internado três dias, porque suspeitavam que pudesse ter alguma hemorragia interna”, lembra [Gil Carvalho]» («Seguros de animais com mais procura do que os das crianças», Erika Nunes, Diário de Notícias, 24.12.2021, p. 8).

      De facto, não me parece que seja a acepção registada no dicionário da Porto Editora: «DIREITO quantia estabelecida em cláusula de apólice de seguro, até à qual o segurador não se responsabiliza por perdas e danos de objectos segurados». Seja como for, há outra acepção que lhe falta: não se fala também, a propósito de franchising, de franquia? Ora aí está.

 

[Texto 15 810]

Léxico: «dia de guarda»

Guarde-se nos dicionários

 

      «Diz o povo que do Natal ao Entrudo come-se tudo. A seguir às muitas contenções e espartanismos à mesa típicas das longas semanas do Advento, a brilhante e abundante doçaria vestia a mesa natalícia, com a doçaria mais rica e os melhores pratos da tradição de cada família. Há que ter em conta que outrora os dias de guarda – leia-se jejum e abstinência – eram ainda, há apenas dois séculos, mais de duzentos ao longo do ano» («A mesa natalícia dos portugueses», Fernando Melo, Diário de Notícias, 24.12.2021, p. 28).

 

[Texto 15 809]

Os jornalistas e as colocações

Prossegue o descalabro

 

      De quando em quando, é bom lembrar que se escreve desta maneira: «Começam a chegar os ventos da campanha eleitoral. Com eles chega também o tempo de todas as interrogações. É durante a campanha eleitoral que se colocam as perguntas e se exigem respostas claras» («Perguntas sem resposta», António Capinha, Diário de Notícias, 24.12.2021, p. 9).

      Como é que um jornalista experiente cede a estes modismos, a estes assassínios da língua? Pois, não sabem e eu também não.

 

[Texto 15 808]

Léxico: «saldo natural»

Próximo passo

 

      «Está a acontecer pelo 13.º ano consecutivo: com o número de nascimentos a diminuir e o de mortes a aumentar, Portugal vai voltar a ter este ano um saldo natural negativo. Desde 2009 que o número de mortes é superior ao total de nascimentos em Portugal, mas este ano deverá ser ainda pior do que 2020 e ficar para a história como o ano com o maior saldo natural negativo de que há memória em Portugal, neste século. Só houve um ano pior e no século passado — 1918, quando a gripe pneumónica provocou milhares de mortes» («Saldo natural negativo: pior só em 1918», Alexandra Campos, Público, 24.12.2021, p. 4). Agora só falta levar a expressão para os dicionários, onde encontramos saldos menos relevantes.

 

[Texto 15 807]