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Linguagista

Quando pensamos que sim

Que sabemos, mas não

 

      «Apesar de ter sido criado numa família evangélica, nos Estados Unidos, [Edward] Wilson acabaria por se afastar da crença religiosa à medida que aprofundou os seus estudos científicos. Mais tarde, porém, enveredou esforços para unir a comunidade científica e a religiosa na causa comum de preservar o planeta» («Morreu o “herdeiro” de Charles Darwin», Filipe d’Avillez, Rádio Renascença, 28.12.2021, 9h53).

       Ele sabe que é qualquer coisa semelhante, mas, passadas tantas horas, ainda não se lembrou da palavra exacta. Os colegas podiam dar-lhe uma ajudinha — se o lessem!

 

[Texto 15 815]

Léxico: «cicadela | cigarrinha-verde | cicadelídeo»

Então, são quatro

 

      «A vinha, como empresa a céu aberto, está sujeita a todas as agruras do clima, a inúmeros problemas de doenças e vírus, dos míldios aos oídios, às traças, à podridão e vários insetos que estragam tudo à passagem, da cicadela à cigarrinha verde e dos pássaros, como os estorninhos, que, consta, são grandes apreciadores de uvas maduras» («Do bio ao bom senso», João Paulo Martins, «Revista E»/Expresso, 4.12.2021, p. 76). Porto Editora, ajuda aqui na exterminação da cicadela, ou cigarrinha-verde, da família dos Cicadelídeos, também chamada cicadela-da-vinha.

 

[Texto 15 814]

Léxico: «extra-solar | extralunar»

Desta vez, faltam os dois

 

      «O especialista [astrónomo José Augusto Matos] da Universidade de Aveiro aponta, ainda, que o telescópio ajudará à “investigação das atmosferas de planetas extrassolares” ou “ver estrelas a nascer dentro de nebulosas, com grande pormenor, que até agora não era possível”» («Novo telescópio vai permitir ver a “história do Universo”», Cristina Nascimento, Rádio Renascença, 25.12.2021, 17h33). Há alguma razão para não estar registado nos nossos dicionários? Será a mesma razão para a ausência de extralunar, por exemplo?

 

[Texto 15 813]

Ortografia: «posso-quero-e-mando»

Saibam que sim

 

      Sim, podem e devem escrever desta maneira, com hífenes: «Um proprietário de São Jorge, filho-família, riquíssimo, habituado ao posso-quero-e-mando a que fàcilmente se curvam os pobres cabreiros do Topo, que falam aos meus-senhores de carapuço na mão, não se adaptava decerto ao fair play de uma firma, espécie de partida de whist jogada à mesa da Praça, quase tão mística para um homem criado nos hábitos da City como a bancada do Gral ou a corte do Rei Artur» (Mau Tempo no Canal, Vitorino Nemésio. Lisboa: Livraria Bertrand, 4.ª ed. s/d., pp. 275-76).

 

[Texto 15 812]