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Linguagista

Léxico: «picueta»

Amanhã há mais

 

      Embora não esteja totalmente ausente cá (porque também já nos colonizaram?), é no Brasil que encontramos com mais frequência o termo picueta. Por exemplo, uma blusa de algodão com gola de picueta. Um Dicionário Têxtil define-o assim: «Acabamento dado a barras, decotes e punhos em artigos de malha, dando efeito de bordado nas pontas.»

      E pronto, este ano não vos maço mais. Fica claro que este que acaba, tão intenso, foi muito menos produtivo do que 2020 (de que ainda viremos a ter saudades no futuro), que permanecerá, porventura, inultrapassável.

 

[Texto 15 827]

Definição: «sal-gema»

Muito fraco

 

      «O sal-gema é uma rocha de onde se extrai o sal. “Este local foi formado há 230 milhões de anos, no Mar de Tetis, que existia nessa altura na Europa”, conta o geólogo [Alexandre Andrade]. “Não é um sal puro em termos de mineralogia, tem uma percentagem de argila, gesso e outros sais mas tem 93% de sal”» («Mina de sal-gema estende-se por 40 quilómetros debaixo da cidade de Loulé», Maria Augusta Casaca, TSF, 30.12.2021, 8h21).

      Um pouco mais complexo do que os nossos dicionários nos fazem crer. O da Porto Editora, por exemplo, diz que é o «sal comum extraído de mina», e pronto, o leitor que nos desampare a loja. E quanto às utilizações? Os dicionários nada dizem. Ora, no artigo também se afirma que se utiliza para o degelo das estradas e para rações de animais.

 

[Texto 15 826]

Léxico: «encantante»

Já por aí visto

 

      «A todo o homem e mulher já alguma vez, por exemplo, perante um pôr-do-sol à beira-mar, na dilatação do horizonte no cume da montanha, no acto amoroso, no abismo encantante, sereno e misterioso do olhar de uma criança, aconteceu, de repente, uma experiência desse instante pleno» («O enigma do tempo e a eternidade no instante», Anselmo Borges, Diário de Notícias, 4.12.2021, p. 14).

 

[Texto 15 825]

Léxico: «sefardismo»

Responda quem souber

 

      «“As autoridades portuguesas têm a palavra final sobre a quem é atribuída a cidadania, mas essa decisão é feita com base na certificação de uma entidade privada, que é a Comissão de Certificação do Sefardismo da Comunidade Judaica Portuguesa faz. Portanto, aqui o problema é que o Estado português está a delegar, ou a basear as suas decisões, numa entidade privada. O que poderia não trazer problemas de maior, se não fosse, por um lado, nós não sabermos bem quais são os procedimentos que são feitos por esta comissão e por haver aqui um conflito de interesses porque esta comissão que certifica é também uma entidade representante da comunidade judaica que tem recebido muitos donativos do próprio Abramovich”, diz à Renascença a presidente da Transparência e Integridade [Susana Coroado]» («Transparência e Integridade aponta “conflito de interesses” no processo Abramovich», Filipe d’Avillez e Pedro Mesquita, Rádio Renascença, 29.12.2021, 18h04).

      Devem pensar que isto é uma democracia, para estarem assim a pôr em causa a decisão. Estou a brincar. Bem, ao que interessa: se o vocábulo sefardismo é usado, até em títulos de obras, há décadas, como é que não está nos nossos dicionários?

 

[Texto 15 824]