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Linguagista

Como se escreve por aí

Má ideia

 

      «Um homem do estado indiano de Gujarat que concorreu às eleições da sua aldeia foi notícia por ter tido apenas um voto, apesar de ter pelo menos 12 familiares próximos elegíveis para votar. Só que uns não foram às urnas e outros preferiram outro candidato» («Nem a família votou nele nas eleições», Sónia Bento, Sábado, 20.01.2022, p. 14). Percebemos a ideia, sim, mas usar-se, neste contexto, o termo «elegível» para referir os eleitores é capaz de não ser boa ideia, não acha, Sónia Bento?

 

[Texto 15 912]

Léxico: «antiabortista | aborção | abortação | aborticídio»

É só pensar um pouco

 

      «Una antiabortista al mando de la Eurocámara» (Laura Zornoza, La Voz de Galicia, 19.01.2022, p. 18). Também o podemos dizer assim em português. O dicionário da Porto Editora, porém, apenas regista abortista. Tal como também podemos usar o termo antiaborcionista, que aquele dicionário acolhe. Em aborcionista, se registassem, como deviam, a etimologia, perceberiam logo que lhes faltava outro termo: aborção. A sistematização levá-los-ia a dicionarizar igualmente abortação, aborticídio, etc.

 

[Texto 15 911]

Léxico: «maltitol | adaptogenicidade»

Outra clandestina

 

      «Afinaram [na loja Theo Kakaw] o conceito de chocolates sem adição de açúcar, substituído pelo adoçante natural maltitol (150 gramas €10.50), outros sem lactose, e uma variada gama com certificação biológica, feita com cacau 100% orgânico, cultivado em plantações livres de químicos e fertilizantes, no Peru» («O meu reino por um chocolate», Bernardo Mendonça, «Revista E»/Expresso, 1.04.20217, p. 95). «Queria pesquisar maldito, manitol?» Quantas vezes não vimos já esta palavra escrita na composição de certos produtos? Pois bem, não a vão encontrar nos dicionários. (Quase a propósito: ontem, faltou registar uma, adaptogenicidade.)

 

[Texto 15 910]

Definição: «bitcoin»

Vamos enriquecer isso

 

      «2010. Primeira transação real feita com a bitcoin, a primeira moeda virtual, ocorreu a 22 de maio de 20210, quando o programador Laszlo Hanyecz pagou 10 mil BTC por duas pizas» («Mundo do dinheiro virtual é vertigem de sobe e desce», Raquel Oliveira, Correio da Manhã, 18.01.2022, p. 14).

      Faz-me alguma confusão que o dicionário da Porto Editora defina bitcoin como o «tipo de criptomoeda ou moeda virtual». O bitcoin é uma moeda digital, ponto final. Desde sempre me senti confundido, quando não perplexo, com o emprego das palavras «tipo» e «espécie» nas definições dos nossos dicionários. Mais desejos?... Bem, muito apreciaria eu também que os dicionários indicassem a abreviatura do nome de cada moeda. No caso, BTC — ou XBT, a mostrar a crescente legitimidade como moeda internacional.

 

[Texto 15 909]