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Linguagista

Como se vai aplicando o AO90 II

Agora noutro jornal

 

      «Foi uma vitória arrancada a ferros, mas permitiu a Portugal apurar-se para os quartos-de-final do Euro 2022. A seleção nacional de futsal venceu ontem a Ucrânia (1-0), com um golo do melhor jogador jovem do mundo, o leão Zicky Té» («Portugal vence Ucrânia e apura-se para os quartos», Diário de Notícias, 29.01.2022, p. 40). É só uma amostra de como os jornalistas do Diário de Notícias — repare-se que cito a edição em papel, a outra chega, como noutros jornais, a ser vergonhosa — dominam este código de escrita que os obrigam a usar.

 

[Texto 15 934]

Como se vai aplicando o AO90 I

Como se vê

 

      «No verão de 1940, os duques de Windsor — Edward Windsor, de 46 anos, e a mulher Wallis Simpson, de 44 — passaram 29 noites no casarão cor de rosa do banqueiro Ricardo Espírito Santo na Boca do Inferno, nos arredores da vila de Cascais» («Ricardo Espírito Santo e a conspiração nazi. Colaboração do banqueiro com os alemães dada como certa», Paulo Anunciação, Expresso, 30.01.2022, 16h27). Já temos sorte que não diga que Cascais é cidade, como fazem outros ignorantes. Ainda assim, parece que foi copiar descrições da vila datadas dos anos 40. A Boca do Inferno é na marginal, sim, mas perto do centro da vila, fica entre bairros. E isto não fica assim: quando aprendem que cor-de-rosa não perdeu os hífenes?

 

[Texto 15 933]

Definição: «taser»

Explicando melhor

 

      Taser, lemos no dicionário da Porto Editora, é «tipo de arma usada a curta distância, que dispara um par de eléctrodos pontiagudos capazes de, ao atingirem o alvo, propagarem uma descarga eléctrica suficiente para causar a paralisia temporária de uma pessoa». Mas pode definir-se ainda melhor: «Las pistolas eléctricas lanzan dardos con electrodos, unidos al arma mediante un cable, que, al alcanzar el cuerpo, provocan una descarga que interfiere en las señales que envía el cerebro a los músculos e incapacita temporalmente al que recibe el impacto» («La Policía Nacional prepara la entrada en servicio de sus primeras 150 pistolas eléctricas», Óscar López-Fonseca, El País, 29.01.2022, p. 19). Características que confirmamos na Enciclopédia Britânica: «Taser, also called taser, in full Tom A. Swift Electric Rifle, handheld device that incapacitates a person by transmitting a 50,000-volt electric shock. The Taser fires two small darts, connected to the device with thin wires, up to a distance of approximately 11 metres (35 feet). The darts can penetrate clothing and, once they make contact with the target, deliver the electric shock, which disrupts the target’s nervous system, resulting in temporary incapacitation. The Taser is not considered a firearm, because it uses compressed nitrogen to launch the darts. A Taser can also be used as a stun gun by pressing it directly against the target’s body, thereby administering the electric shock.»

 

[Texto 15 932]

As palavras dos outros

Talvez um dia

 

      «António Costa leva a maioria depois de anos de trabalho, nos quais vem neutralizando sistematicamente todos os seus maiores competidores (quer esquerda quer centro), desde 2015. Primeiro, calou Bloco e PC prometendo-lhes lugar ao sol. Depois, enterrou-os, decepando também o PSD quando fez que juntos aplaudissem tipo foca amestrada a sua gestão da covid. Durante dois anos nesse monotema, todos lhe bateram continência. As consequências da mesmice são hoje visíveis» («Rei em São Bento», Joana Amaral Dias, Diário de Notícias, 31.01.2022, p. 9).

      Talvez devesse também fazer parte do nosso vocabulário. Certo é que, apesar de o vermos aqui e ali, mas pouco, em textos em língua portuguesa, está no Dicionário da Real Academia Espanhola: «1. m. Tema único. U. t. en sent. despect.» Nós não temos nem «monotema» nem «unitema» nem nada que transmita a mesma ideia. Temos apenas o adjectivo, monotemático, que é o que só tem ou fala ou trata de um tema.

 

[Texto 15 931]

Definição: «tropicalização»

A importância dos exemplos

 

      «El personal experimentado de la compañía en el país —el mismo que participó en Ferrol en la construcción de esos mismos buques, por lo que son conocedores de sus características y prestaciones— ha llevado a cabo uno de los últimos encargos de la Marina nórdica: la bautizada como tropicalización de la fragata Roald Amundsen. Se trata de unos trabajos que consisten en la mejora de la capacidad de refrigeración del buque, con el fin de que pueda navegar en condiciones tanto de temperatura del aire como del agua más cálidas de las que presenta el entorno en donde opera habitualmente la Marina noruega» («Noruega contrata a Navantia los trabajos previos a la modernización de sus fragatas», B. Couce, La Voz de Galicia, 29.01.2022, p. 25).

      Neste caso, está no dicionário da Porto Editora. Tropicalização é ali definido como a «adaptação de equipamentos (máquinas, veículos, etc.) por meio de tratamento industrial, para lhes dar maior resistência à acção do clima dos trópicos». Sim, veículos, mas talvez se devesse especificar o caso dos navios. Muitas vezes, é na exemplificação que o falante comprova a acepção adequada.

 

[Texto 15 930]

Léxico: «roupão»

Mesmo debaixo do nariz

 

      Como eu previ, não se formou uma ecogeringonça. Assim, seremos nós a falar destas coisas. Porto Editora, recentemente dei-te conhecimento da existência do rolhão, o «depósito público para recolha de rolhas para reciclagem», como o definiste. Ora, também existe o roupão, o depósito público de roupas, que para ti é apenas uma peça de vestuário.

 

[Texto 15 929]