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Linguagista

Léxico: «massa crítica»

É o que nos falta

 

      «O país também deve manter a trajetória positiva no domínio da inovação. O inquérito ao potencial científico e tecnológico de 2020 mostra novas dinâmicas de inovação, de forma transversal ao território português. Regista-se uma evolução positiva da intensidade em I&D e da massa crítica científica, sendo o Norte a região com melhor desempenho face a 2015. O número de investigadores aumentou, sobretudo nas empresas (o Norte representa 40,4%), porém a dimensão do investimento (despesa por investigador) continua baixa a níveis europeus e mantém-se constante nas últimas décadas» («O futuro passa pela qualificação e inovação», António Fontainhas Fernandes, Jornal de Notícias, 18.01.2022, p. 29). Nos dicionários encontramos muitas massas, mas não esta, logo por acaso uma das mais importantes.

 

[Texto 15 971]

Léxico: «missô»

É de soja que falamos

 

      «Franken é um restaurante japonês de Osaka que tem sido notícia pelo seu novo prato exclusivo de ramen miso, que vem com um cone de gelado de leite e chocolate a derreter no centro da tigela. A sopa tem uma base de pasta de pimenta-vermelha de missô e gochujang e também contém extratos de carne de porco, carne bovina e frango, que parece uma combinação bizarra com o gelado. Mas Shimizu, criador do prato, garante que o acre e o doce “se complementam muito bem”» («Sopa com gelado de leite», Sábado, 3-9.02.2022, p. 16). «Queria pesquisar bisso, disso, fisso, imisso, isso, miso, miss, missa, misse, missão, misto, nisso, omisso?» Sim, no Brasil.

 

[Texto 15 969]

Léxico: «cotonado»

De nada serve

 

      «Não admira por isso que a nespereira, originária no sudeste da China e plantada no Japão há mais de 1000 anos, tenha sido uma das árvores preferidas dos jardins dos eruditos chineses, musa dos poetas, como o célebre poeta chinês Li Bai (701-762), e de grandes pintores, entre eles, o autor de estampas japonês Utagawa Hiroshige (1797-1858) que repetidas vezes desenhou ramos de nespereiras com as suas longas folhas verde-escuro, lanceoladas, admiravelmente macias e cotonadas na face inferior, carregadas de frutos, esses “pomos de ouro” que os pica-paus e os estorninhos tanto apreciam» («O caroço que podia dar dragões», Susana Neves, Tempo Livre, Jan.-Fev. de 2022, p. 9). Claro que não gosto de chegar aos dicionários e ver que é o particípio passado do verbo «cotonar». De que serve isso?

 

[Texto 15 968]

Léxico: «jiló | jiloal | jilozal»

Deviam saber

 

      O exercício consistiu em pôr numa mão um jiló, que se vende no Auchan, e na outra a definição que encontramos deste fruto no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, na sua versão em linha (de quando em quando, assim bem explicadinho, para os que apresentam certos défices disto e daquilo ou superávites de implicância), e a conclusão foi que não havia grande semelhança. Então e onde está o nome científico (Solanum gilo)? Para o Auchan também há um recado: a palavra escreve-se com j e não com g, como fazem, pois que as palavras de origem africana, árabe ou indígena grafam-se com j, como deviam saber.

 

[Texto 15 967]