Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Linguagista

Léxico: «kievita»

Agora é que faz falta

 

      Recuemos doze anos. «O local onde sinto mais intensamente o coração de Kiev é ao olhar para as cúpulas verdes e douradas da Catedral de Santa Sofia. Este edifício sobreviveu, de algum modo, ao ataque de Batu Khan e do seu Canato da Horda de Ouro no século XIII. Descendo a rua, o Khan, neto de Genghis Khan, queimou uma igreja ainda mais antiga, com 3000 kievitas dentro. Santa Sofia também sobreviveu aos czares, à Revolução Bolchevique e a Hitler. Sobreviveu à propensão de Estaline de derrubar as igrejas em pedacinhos. Os Kievitas têm uma lenda que diz que a chamada dos sinos das igrejas de Kiev podem tecer um escudo sobre a cidade» («Crónica de uma paixão lenta», John Pancake, tradução de Rosalina Godinho, Público, 23.01.2010, 00h00).

      Agora é que precisamos mesmo dele, por isso, registe-se e use-se. (Claro que é Gengiscão que tradicionalmente escrevemos, e não estou a ver nenhum motivo para o deixarmos de fazer.)

 

[Texto 16 047]

Léxico: «bomba termobárica | bomba de vácuo»

Agora é todos os dias

 

      «Foi a embaixadora da Ucrânia nos Estados Unidos da América (EUA) a primeira a fazer a denúncia. Segundo Oksana Markarova, as forças armadas da Rússia atacaram alvos ucranianos com armas termobáricas, também denominadas de bombas de vácuo. Proibidas pela Convenção de Genebra, a “mãe de todas as bombas”, cognome atribuído devido à sua letalidade, é capaz de vaporizar corpos humanos e, embora nenhum exército reconheça a sua utilização, tem sido usada em vários conflitos armados, desde a década de 60 do século passado. [...] Fonte militar contactada pelo JN explica que as bombas de vácuo são lançadas de “múltiplas plataformas” terrestres e aéreas e visam, quase sempre, bunkers, caves e túneis. Ou seja, posições defensivas do inimigo» («Drones turcos contra “mãe de todas as bombas”», Roberto Bessa Moreira, Jornal de Notícias, 2.03.2022, p. 6).

 

[Texto 16 046]

Léxico: «orquestrável | orquestrabilidade»

Lidas e ouvidas

 

      «O que pode trazer uma orquestra ao repertório da banda? Miguel Guedes diz que estas uniões obrigam a uma “escolha de canções completamente diferenciada”. Algumas transitam da experiência russa, outras surgem pela primeira vez, “incluindo coisas que quase nunca tocamos. Gostamos do desafio de transformar canções. De obrigá-las, e a nós, a um contorcionismo. Há outros temas [não incluídos no alinhamento] que até podiam ser mais orquestráveis, mas que nada ganhariam com isso"» («O “ato meio solitário em conjunto” dos Blind Zero no Rivoli», Jorge Manuel Lopes, Jornal de Notícias, 18.12.2020, 11h09). E na terça-feira ouvi a palavra orquestrabilidade.

 

[Texto 16 045]

Escadinhas, costa e outras mais

A caminho do Castelo de São Jorge

 

      Já aqui tratei da questão, mas ficou apenas resolvida pela metade. Andei ali pelo Castelo de São Jorge e, claro, como não fui de helicóptero, pude ver e calcorrear uma série de escadinhas e calçadinhas e até por uma costa andei — a Costa do Castelo. Então, onde estão — como designação de arruamentos — escadinhas e costa, por exemplo? Não estão.

 

[Texto 16 044]

Léxico: «recondicionar | recondicionado»

Não me parece

 

      «O mercado de recondicionados – telemóveis restaurados, muitas vezes com garantia – tem estado a crescer e em muito devido às seguradoras, explica Francisco Jerónimo. “Quando é acionado o seguro, se o telemóvel já não for novo, é entregue um recondicionado”, afirma» («Seguradoras impulsionam recondicionados», Correio da Manhã, 23.02.2022, p. 9).

      Dois problemas no dicionário da Porto Editora a propósito disto: por um lado, ainda há vestígios da tal monomania (ou sabotagem?) que qualificou — a torto e a direito, mas mais a torto — como brasileirismos um ror de vocábulos que sempre se usaram cá. Muito estranho. É o caso do verbo recondicionar. Por outro lado, recondicionado apenas nos surge como «particípio passado do verbo recondicionar», isto é, sem definição própria, autónoma.

 

[Texto 16 043]