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Linguagista

Não nos entendemos

Um país, duas ortografias

 

      Ou mais. Num país com duas ortografias, nada disto tem importância, até porque não é português: «A companhia estatal que gere as centrais nucleares da Ucrânia, a NNEGC Energoatom, avança que morreram três militares ucranianos no ataque à central de Zaporíjia. O diretor da Agência Internacional de Energia Atómica já tinha confirmado dois feridos, ambos seguranças no local» («Nuclear. Diretor da AIEA disponível para ir a Kiev negociar segurança das centrais», Olímpia Mairos, Rádio Renascença, 4.03.2022, 11h38). «As tropas russas tomaram a central nuclear ucraniana de Zaporizhzhia, a maior da Europa, informou o regulador nuclear estatal da Ucrânia, acrescentando que a equipa da central controla o estado dos edifícios e garante seu correto funcionamento» («Tropas russas ocupam central nuclear de Zaporizhzhia», TSF, 4.03.2022, 7h52).

 

[Texto 16 058]

Léxico: «nisorro»

É assim, é

 

      No Portugal em Directo, na RTP1, do dia 3, a presidente da Câmara Municipal de Nisa, Idalina Trindade, falou com orgulho no «povo nisorro». Também Xavier Fernandes registou o gentílico. Os nossos dicionários só acolhem nisense. É assim que vão ficando palavras pelo caminho. E depois exaltam a língua inglesa e o seu imenso léxico. Pois, pois.

 

[Texto 16 057]

Molhos, muitos

Tudo ao molho

 

      Vamos lá ver: então em molho não temos molho disto e daquilo? E faltam lá muitos. Então, porque não fazer o mesmo, paulatinamente, com o verbete pastel? Lembrei-me disto quando vi, na passada quinta-feira, no Portugal em Directo da RTP1, uma reportagem sobre o muito antigo e a todos os títulos invulgar pastel de molho da Covilhã. «O “pastel de molho” da Covilhã é uma especialidade regional em que um pastel de massa folhada recheado com carne é coberto com um caldo quente de açafrão e vinagre» (Cinco Séculos à Mesa, Guida Cândido. Alfragide: Publicações Dom Quixote, 2016, p. 66). Até já há uma Confraria da Pastinaca e do Pastel de Molho...

 

[Texto 16 055]

Léxico: «psílio | antiobstipante»

Tudo na mesma

 

      Compro? Não compro? Comprei. Uma embalagem de 200 g de psílio (Plantago ovata) em pó biológico. As sementes que dão origem a este pó são ricas em mucilagens, um tipo de fibras que não são absorvidas pelo intestino grosso. É uma substância muito rica em cálcio, magnésio, potássio, zinco e fósforo, combate infecções bacterianas e fúngicas e actua como um poderoso laxante, descongestionando o intestino em situações de prisão de ventre. Apenas encontramos o termo psílio num dicionário bilingue da Porto Editora, Flohkraut.

 

[Texto 16 054]