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Linguagista

Léxico: «caucasianismo»

Não temos culpa

 

      «Em tempos de extremismos dos woke politicamente corretos confrontados com fantasmas de tempos passados que apregoam o nosso caucasianismo, estas introduções criam aquele clima do “deixa ver onde este se vai meter”» («O último preconceito hetero», Luís Pedro Nunes, «Revista E»/Expresso, 4.03.2022, p. 14).

 

[Texto 16 086]

Léxico: «dispareunia | vulvodinia»

Olha que não

 

      «A história de Maria é um exemplo extremo de um problema mais comum e incapacitante do que as aparências deixam antever. Falamos da dor decorrente da penetração que ocorre durante o ato sexual, a chamada dor sexual, também apelidada de dispareunia. E que surge quase sempre associada à vulvodinia (dor na vulva)» («Dor sexual. Não, não é normal nem irreversível», Ana Tulha, Notícias Magazine, 11.03.2022, p. 38). A Porto Editora acha que sabe o que é dispareunia: «dor sentida pela mulher durante a relação sexual». Pois, não é. Mas não desanimem, metade está certo. É a dor sentida pela mulher: 1. durante a tentativa de penetração vaginal ou 2. durante a penetração vaginal completa. Quanto a vulvodinia, não está registado naquele dicionário. Aliás, está em muito poucos.

 

[Texto 16 084]

Léxico: «Tamarez | Trincadeira-das-Pratas»

Não sei se é bem assim

 

      Já provaram o Talhas de Borba branco, lançado pela Adega de Borba? Eles mesmos dizem que é feito com as castas Rabo de Ovelha, Tamarez e Roupeiro. Vejo em demasiados sítios a grafia Tamarez para poder ignorá-la. Ao que parece, oficialmente tem agora o nome de Trincadeira-das-Pratas. Não vejo nada disto nos nossos dicionários.

 

[Texto 16 083]

Kiev para sempre

Ninguém pediu nada disso

 

      Ainda na sexta-feira à tarde, na Rádio Observador, um entrevistado, o professor universitário Paulo Batista Ramos, dizia Kíiv, em vez de Kiev. Bem sei que pode ter sido por lapso — mas nunca me esquecerei das instruções de certa editora para passar todos os topónimos para a grafia do original. Lindo. Felizmente, esta gente não está à frente das políticas da língua, ainda que não deixem, naturalmente, de fazer os seus estragos. Entretanto, na Galiza: «Kiev será Kíiv a partir de agora en galego. O Seminario de Onomástica da Real Academia aprobou na súa última xuntanza as adaptacións de varios topónimos de Ucraína, o da capital, de outras cidades e accidentes xeográficos. De acordo coas recomendacións internacionais e a necesaria transliteración dende o alfabeto cirílico da lingua ucraína, sancionouse Kíiv para a capital, xa que é a forma máis adaptada ao sistema vocálico galego acorde coa propia denominación oficial ucraína» («Kiev será Kíiv a partir de agora en galego», La Voz de Galicia, 9.03.2022, p. 33).

      Agora vamos ver se nenhuma xuntanza lusa estraga as coisas por cá, como fizeram ineptamente com o Acordo Ortográfico.

 

[Texto 16 082]