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Linguagista

Léxico: «semeio»

Não está

 

      «“Fui pioneiro no semeio do arroz em seco, sem canteiros alagados”, para minimizar os recursos hídricos [afirma José Mota Capitão, vitivinicultor e orizicultor]» («Loverice», «Revista E»/Expresso, 4.03.2022, p. 80). Não há dúvida alguma de que se usa — mas está em algum dos nossos dicionários? Incompreensivelmente, não.

 

[Texto 16 091]

Léxico: «tornadouro»

De certeza?

 

      «A primeira imagem que se vê na exposição “Sistema Circulatório”, na Galeria Espaço Mar, da Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco, no Funchal (Madeira), é um tornadouro numa vitrine. Conhecido regionalismo, ler a palavra tornadouro — e até compreender o seu significado — soa estranho para quem não é madeirense.  São “as pedras em cima dos trapos — antigamente até era sobre folhas secas — para construir um obstáculo à água, encaminhando-a para a rega”, resume o artista Martinho Mendes em entrevista ao Observador. “É um objeto que remete para o labor, sacrifício no movimento contínuo de transporte de água”, complementa» («“Nós não sobrevivemos na Madeira sem as levadas”. Como a água é o “Sistema Circulatório” da ilha», Ana Sousa, Observador, 15.03.2022, 11h16).

      Ninguém terá dúvidas, creio, de que o tornadouro do dicionário da Porto Editora pretende ser o mesmo: «Madeira escoadouro do tanque». Pois, mas não parece mesmo nada o mesmo.

 

[Texto 16 090]

Os diferentes caretos

Espera aí...

 

      Em viagem por Portugal, Fernando Alves, da TSF, foi parar a Varge. A pergunta foi feita a Mário Gomes, que participou nos caretos da aldeia: «O que distingue, afinal, o careto de Varge daquele outro de Podence?» «Nada que ver», foi a resposta. Talvez haja aqui exagero, mas o interlocutor sabia do que falava, pois participou durante quatro anos — até se casar. Em resumo, lembrou que em Varge se celebra no Natal; as máscaras, ao contrário do que sucede em Podence, são diversas, não há duas iguais; só podem participar rapazes solteiros, daí que também seja conhecida por Festa dos Rapazes, ao contrário do que acontece em Podence, que é aberta a toda a gente; as mulheres não são chocalhadas, como em Podence, mas enxovalhadas em público pelos seus namorados; são-lhes dirigidas loas, em verso. Os rapazes saíam de casa no dia 24 de Dezembro e só regressavam a 27. Ora, para a Porto Editora, careto é «em algumas aldeias do Norte de Portugal (sobretudo transmontanas), homem ou rapaz que, por ocasião de certas festividades natalícias, percorre a povoação mascarado de figura misteriosa e demoníaca, acompanhando o mordomo no peditório para a festa» ou «em algumas aldeias do Norte de Portugal (sobretudo transmontanas), homem ou rapaz que, por ocasião do Entrudo, percorre a povoação mascarado com traje colorido, chocalhos e máscara aterradora, para fazer travessuras (assustar as raparigas, invadir as adegas, etc.) em companhia de outros mascarados». Para terminar: se eu fosse dicionarista, não deixaria de indicar, nas respectivas acepções, «como em Podence», «como em Varge». Por exemplo.

 

[Texto 16 089]

Léxico: «documentoscopia | documentoscópico»

Pobres especialistas

 

      «Foi apresentado ontem, na sede da Polícia Judiciária, em Lisboa, o livro “Análise Forense de Documentos Impressos” da autoria de Manuel Mourato, perito forense do Laboratório de Polícia Científica da Polícia Judiciária e especialista em Documentoscopia. A obra foi apresentada pelo diretor nacional adjunto Carlos Farinha e teve como oradores Pedro Sousa Marques, diretor do Departamento de Emissão e Tesouraria do Banco de Portugal e José Manuel Anes, criminalista e professor universitário» («Livro de análise forense de documentos apresentado na PJ», Jornal de Notícias, 10.03.2022, p. 22).

      Pobres especialistas, isso sim, que não vêem nem a documentoscopia nem a documentoscópico nos dicionários.

 

[Texto 16 088]

Léxico: «diferenciação»

Está a ver-se agora

 

      «Marta Rodrigues, ginecologista e obstetra com diferenciação na área da patologia da vulva, esclarece que a prevalência oscila, de acordo com estudos internacionais, entre os 7 e os 18%» («Dor sexual. Não, não é normal nem irreversível», Ana Tulha, Notícias Magazine, 11.03.2022, p. 38). Ainda não encontro esta diferenciação nos nossos dicionários, mas não deixo de a encontrar em textos na imprensa.

 

[Texto 16 087]