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Linguagista

Léxico: «mancanha | brame | cana-bordão»

Até povos suprimem

 

      «Hoje, por acaso, vive rodeado de balantas, uma das três dezenas de etnias da Guiné-Bissau, numa casa não longe do terreno que cuida a caminho de Cumura, às portas da capital, onde também tem um bar onde vende cana-bordão (aguardente de cana-de-açúcar e uma outra, preparada por si, com a aguardente e cravinho). Além de falar “um bocado” balanta, também arranha mancanha, papel e fula. “Um bocadinho, né, principalmente nos cumprimentos, é muito bom, as pessoas ficam mais próximas”» («O comando português que se apaixonou na Guiné e não mais voltou», César Avó, Diário de Notícias, 15.03.2022, p. 20).

 

[Texto 16 102]

Léxico: «descomunizar | descomunização»

Cá está quase feita

 

      «Ainda assim, o ex-PCP considera que o partido “nunca, em nenhuma circunstância, pode aceitar que, independentemente da Ucrânia, da NATO ou dos EUA, que a guerra seja a solução. Nunca o pode ser. O ideal dos comunistas é a paz”. Na sua perspetiva, “o discurso de Putin visa a descomunização da própria Rússia. Como é que o PCP pode coincidir com alguém claramente de extrema-direita e autoritário? Não pode”» («“Cunhal deixou um lastro que impede o PCP de raciocinar”», Rui Miguel Godinho, Diário de Notícias, 15.03.2022, p. 10).

 

[Texto 16 101]

Léxico: «selvageria»

Logo por acaso

 

      «Em 1925, o cavaleiro Vitorino Fróis, numa entrevista à Gazeta da Caldas, confessou-se chocado relativamente às touradas de morte em Espanha nas quais os touros não eram embolados: “Uma brutalidade. Uma verdadeira selvageria. É impróprio de povo civilizado o espetáculo bárbaro dos cavalos mortos, de tripas ao sol, em dolorosa agonia”» («Entre afición e atrocidade: as touradas», Fábio Monteiro, Rádio Renascença, 24.03.2021, 6h50, itálicos meus). Lá te escapou esta variante, Porto Editora, e logo por azar há vozes a defenderem que é a mais correcta.

 

[Texto 16 100]

 

Plural: «lúmpen»

Ninguém é perfeito

 

      «Com efeito, alguns pretenderam ver na revolta do lúmpen parisiense um epifenómeno do movimento revolucionário antiburguês de 1848, animada pelos mais telúricos sentimentos patrióticos do povo francês, reagindo à vergonha da derrota frente aos germânicos» («Nos 150 anos da Comuna de Paris. As origens, a brutalidade e as consequências da revolta que inspirou Marx e Engels», José Luís Andrade, Observador, 28.03.2021, 20h42).

      Só há um problema nos dicionários no que respeita a este vocábulo: a omissão do plural, e, como bem sabemos, alguns dos nossos concidadãos têm sérios problemas com esta matéria. Ninguém é perfeito.

 

[Texto 16 099]

Léxico: «entradão»

Não precisamos do inglês

 

      «A imagem em causa é manipulada e é até possível ver uma assinatura (que em algumas publicações é apagada) por baixo do entradão da notícia, do lado direito. Muito sumido, aparece escrito “Sali L.” No Twitter foi possível encontrar um tweet de uma utilizadora com o mesmo nome com a partilha da mesma imagem» («Fact Check. Observador noticiou que “grupo de ciganos invade hospital”?», Rita Tavares, Observador, 14.03.2022, 16h27).

 

[Texto 16 098]