Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Linguagista

Léxico: «laminadora»

Não se percebe

 

      Acontece com muitas outras máquinas e ferramentas, como já temos aqui visto. O repórter da TSF, na sexta-feira passada, a propósito do aumento incomportável do preço da energia e da dificuldade no fornecimento de certas matérias-primas, foi ouvir um industrial de panificação em Arronches. «Portanto, esta é a máquina que...?» «É a laminadora, serve para estender a massa, fazer as massas folhadas, essas coisas, as mais importantes.» O outro problema associado a este é a dicionarização como masculino, quando, em geral, se usa o feminino — porque são máquinas. É o caso, e de laminador diz a Porto Editora: «máquina de laminar composta de dois cilindros de aço que giram em sentidos opostos, entre os quais se faz passar o metal a laminar». Há-de haver laminadoras, não apenas nas empresas de fundição, metalúrgicas, e nas panificadoras, mas também noutras áreas. É procurar. Claro que uma redacção mais genérica resolve a questão: dizer-se que é entre pelos quais se faz passar a matéria-prima a laminar, por exemplo.

 

[Texto 16 117]

Léxico: «krutcheviano | brejneviano»

Aqui não há cancelamento

 

      Não estava à espera de encontrar o termo krutchoviano no dicionário da Porto Editora, porque na Infopédia se optou pela transliteração Krutchev e Kruschev (embora, nestas questões, haja todo o interesse na uniformidade, na coerência das opções), mas pelo menos krutcheviano. A avaliar, porém, pelo que se tem visto na nossa imprensa nas últimas décadas, teria, obviamente, de admitir-se o trio krutcheviano/krutchoviano/krustchoviano. (No Brasil, já seria diferente: o Michaelis acolhe khrutcheviano.) Ah, já que falo nisto, brejneviano também anda por aí à solta. Não há nenhuma razão para omitir estes vocábulos de um dicionário cujo suporte é digital.

 

[Texto 16 116]

Léxico: «superpresidencialismo | superpresidencialista»

Fala, pois

 

      «O presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, apresentou ontem o seu plano de reforma política, dois meses depois dos protestos violentos que considerou um “teste difícil” para o país. No discurso do Estado da Nação, revelou que a ideia é virar as costas ao modelo “superpresidencialista” de governo a favor de uma “república presidencial com um parlamento forte» («Tokayev quer virar costas ao superpresidencialismo», Susana Salvador, Diário de Notícias, 17.03.2022, p. 21). E não se fala também, de quando em quando, de superpresidencialismo a propósito do Brasil?

 

[Texto 16 115]