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Linguagista

Léxico: «especulação | especulador»

O problema é a definição

 

      Especulação, diz o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, é a «operação financeira que visa a obtenção de lucros através do comércio de bens ou valores sujeitos a variação cambial ou de preços; investimento de risco feito com a intenção de promover a rápida valorização um [sic] activo e a sua posterior venda com lucro». Não percebo porque não fazem duas entradas independentes, já que me parecem coisas distintas. Seja como for, também não me parece que esteja explícito o cerne da actividade do especulador, que é a de assumir o risco de que um preço suba ou desça e, em troca, ficar com as diferenças, que, essa é que é essa, podem ser negativas ou positivas. Pese embora a imemorial má fama, mal de nós se não houvesse especuladores destes.

 

[Texto 16 144]

Léxico: «indigenizar | indigenização»

Entre milhares

 

      Mais duas, entre milhares, que faltam no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «Ponderadas, ainda que muito superficialmente, estas cautelas interpretativas, é indubitável que a indigenização do clero tornou possível caminhar-se para uma Igreja indígena, isto é, que busca e encontra em si as fontes de subsistência e a convergência entre as formas culturais locais e a expressão teológica e litúrgica da sua fé» (O Bairro Português de Malaca, J. P. de Campos Guimarães e ‎José Maria Cabral Ferreira. Lisboa: Edições Afrontamento, 1996, p. 105).

 

[Texto 16 143]

Léxico: «peixe-cofre | peixe-pedra»

Só no mar

 

      «Em “A Eloquência da Sardinha” o físico francês Bill François fala de uma lenda que alguns povos antigos conheciam como teoria do espelho. Acreditavam que o mar era como um espelho que refletia dentro da água exatamente tudo aquilo que havia sobre a superfície e isso explicaria a razão pela qual existem peixes e outros seres-vivos com nomes de animais e coisas terrestres, de que são exemplo o peixe-gato, peixe-sapo, leão-marinho, peixe-cofre, peixe-pedra e a estrela-do-mar» («Nem tudo o que virá à rede será peixe», Rafael Tonon, «Revista E»/Expresso, 11.03.2022, p. 76). Os dicionários ficaram despovoados antes mesmo dos mares.

 

[Texto 16 142]