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Linguagista

Léxico: «lezguiano | taliche»

Faz-me impressão

 

      «O meu pai trabalha como engenheiro numa fábrica de armamento e costuma chegar atrasado por causa da guerra do Afeganistão. Ele nasceu na Rússia, estudou em Moscovo e, quando terminou o curso, foi enviado para o Azerbaijão. Foi aqui que conheceu a minha mãe que viera da Arménia com os pais quando tinha dez anos. A minha professora diz que eu sou uma verdadeira soviética, filha de pais de etnias diferentes que vivem numa república onde não nasceram. Na escola, embora haja azeris, arménios, lezguianos e talysh, todos pertencemos a um único país» («O Amor em Tempos de Perestroika», João Cerqueira, «Luz»/Nascer do Sol, 9.04.2022, p. 31). Poucas coisas, em matéria de língua, me fazem mais impressão do que o nome de povos não estarem nos nossos dicionários.

 

[Texto 16 156]

Léxico: «regaseificação»

Lida e ouvida

 

      «Ainda que exista agora abertura de França para avançar com essa interconexão, o que até poderia justificar um reforço da capacidade para receber e armazenar GNL em Sines, a curto prazo, os grandes importadores como a Alemanha estão a virar-se para um outro tipo de infraestruturas, mais rápidas e baratas de construir e muito mais flexíveis. Os terminais flutuantes são navios de transporte de GNL que dispõem da sua própria unidade de regaseificação e que podem fazer o transporte até ao ponto de descarga, mesmo sem um terminal específico» («Europa tem soluções para trocar gás russo por GNL, mas fica mais caro e é pior para o ambiente», Ana Suspiro, Observador, 4.042022, 21h51).

 

[Texto 16 155]

Confusões: integrismo vs. integralismo

Pelo menos os erros

 

      Ai agora é assim? Em intégrisme, no Dicionário de Francês-Português da Porto Editora, dizem-nos que é o nosso «integralismo». Está bem que não gostam, vá-se lá saber porquê, de corrigir e aumentar os dicionários bilingues, mas tem de ser. Também eu não gosto de pagar impostos e, contudo, pago-os.

 

[Texto 16 153]

Léxico: «conchoidal»

Adivinharam: só em bilingues

 

      «Mais: [o quartzo] está entre os minerais que conseguem riscar vidro mas não se deixam riscar por ele. Depois, fratura-se de forma conchoidal, o que dá por exemplo os desenhos em forma de concha que se veem em alguns artefactos primitivos» («Aula 1: Quartzo, a primeira matéria-prima», Marta F. Reis, Nascer do Sol, 9.04.2022, p. 30).

 

[Texto 16 152]

Léxico: «ciceronear»

A meu ver

 

       Numa legenda a uma imagem de um artigo no Jornal de Notícias, vê-se «Nuno Faria, diretor artístico, a ciceronear Rui Moreira na Casa da Macieirinha» (Almiro Ferreira, 10.04.2022, p. 18). Não é nada: não está no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora (e, contudo, acolhe ciceroneado), que prefere a variante, menos natural, ciceronizar.

 

[Texto 16 151]

Léxico: «descravador»

Já sabem onde não está

 

      «As escolas devem ter um conjunto de ferramentas “essenciais”, como suporte de bicicleta, bomba de ar manual, chave-inglesa, chave de fendas, alicates ou descravadores de elos de corrente» («Alunos vão andar de bicicleta na estrada», Alexandra Inácio, Jornal de Notícias, 10.04.2022, p. 6). Ah, mas se está num bilingue...

 

[Texto 16 150]