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Linguagista

Léxico: «jdanovismo | jdanovista»

Vai perguntar ao pai

 

      «Mas este volume de “Conferências e Discursos” explica, até no índice, o desagrado desses intelectuais: ao longo de duas décadas (1937-1958), Camus manifestou-se sem cessar contra o nacionalismo, contra o franquismo, contra o revanchismo, contra a invasão da Hungria (à qual nunca chamava “operação militar especial”), contra o jdanovismo, contra a repressão dos operários polacos, e assim sucessivamente» («Justiça ou catástrofe?», Pedro Mexia, «Revista E»/Expresso, 18.04.2022, p. 61).

      Então, Porto Editora, o que respondemos às criancinhas quando elas nos inquirirem sobre estes termos, que aparecem de quando em quando? Já sei: depende. Se perguntarem à mãe: «Vai perguntar ao teu pai.» Se for ao pai: «Vai perguntar à tua mãe.»

 

[Texto 16 178]

Léxico: «afiambrado»

Pois é

 

      «Para conquistar os consumidores que não comem peixe, investigadores do Instituto Politécnico de Leiria estão a desenvolver hambúrgueres, salsichas e afiambrados a partir de recursos marinhos da costa de Peniche, que pretendem valorizar» («Investigadores criam hambúrgueres e salsichas “do mar” para acabar com estigma de quem não come peixe», Observador, 17.04.2022, 9h32). Ah, sim, Porto Editora, porque afiambrado também é substantivo. Teve a mesma evolução de atoalhado, por exemplo.

 

[Texto 16 177]

Léxico: «arruí | carneiro-da-barbária»

Até em Portugal

 

      «Outra experiência muito apreciada pelas crianças é o safári de jipe, para observar veados, gamos, muflões, arruís e javalis na Herdade Monte Santos, que se estende por quase 500 hectares» («Água abençoada», Sandra Costa, Revista Saúda, Março de 2022, p. 40). Sim, arruí ou carneiro-da-barbária (Ammotragus lervia).

 

[Texto 16 176]

Léxico: «androgenético»

Atenção às variantes

 

      «O normal é perder entre 25 a 100 cabelos por dia. Se a perda for superior a 100 cabelos, é considerado anormal. A queda de cabelo mais comum é a androgenética, em que a causa está relacionada com fatores genéticos e hormonais, e com o grau de sensibilidade» («Cabelos felizes», Nadine Nogueira, farmacêutica, Revista Saúda, Março de 2022, p. 32).

 

[Texto 16 175]

Léxico: «neo-expressionismo | neo-expressionista»

Digam-me que é mentira

 

      «É também uma fotografia sem qualquer tipo de contexto, exceto os copos e as garrafas de água desordenados sobre a mesa... e a legenda: “Jean-Michel Basquiat, Breakfast Set #1, July 1985, Lisbon, Portugal”. Basquiat, a estrela da cena artística nova-iorquina dos anos 1980, aquele que é considerado o maior pintor negro da história, o neoexpressionista que levou a poesia urbana, o racismo sistémico e o comentário social para algumas das galerias mais badaladas do mundo, no auge da carreira, a tomar um tranquilo pequeno-almoço em Lisboa?» («A aventura de Basquiat em Portugal», Joana Stichini Vilela, «Revista E»/Expresso, 1.04.2022, p. 38).

      Por qualquer razão que não me interessa, nos nossos dicionários não vamos encontrar os termos neo-expressionismo e neo-expressionista.

 

[Texto 16 174]

Léxico: «floresta urbana»

Se se usa, defina-se

 

      «Entende-se por floresta urbana o conjunto de árvores, jardins, bosques, parques e jardins integrados em áreas citadinas. No seu conjunto, formam as chamadas infraestruturas verdes» («Floresta urbana do Porto dá mais 2300 novas árvores à cidade até final do ano», Pedro Emanuel Santos, Jornal de Notícias, 17.04.2022, p. 16).

 

[Texto 16 173]