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Linguagista

Léxico: «ter mundo»

Cabe no dicionário

 

      «Diria que essa inclinação é anterior à queda da ditadura e estamos a falar de uma opção clara por um modelo de democracia de tipo ocidental. D. António era um homem que tinha muito mundo, em 1974, não só por ter estudado em Roma e na Áustria, mas sobretudo porque, ao longo do seu episcopado, tinha acompanhado a Ação Católica, a delegação portuguesa da Pax Romana. Era um homem que contactava com a Europa Ocidental, onde já vigorava esse modelo. Depois de ser nomeado Patriarca, fazia visitas regulares ao Vaticano, para além de férias que passava em vários países. Tinha mundo e a sua referência era a da democracia pós-II Guerra Mundial, uma democracia de tipo ocidental, pluralista [afirma a investigadora Paula Borges Santos, autora da mais recente biografia de Dom António Ribeiro]» («D. António Ribeiro: um defensor da democracia, sem preferências partidárias», Ana Catarina André, Rádio Renascença, 24.04.2022, 8h45).

 

[Texto 16 210]

Kiev, Bombaim, Pequim...

Pode ser que cá também aprendam

 

      «La guerra de Ucrania ha puesto de manifiesto la existencia de diferentes criterios sobre el nombre de la capital de Ucrania que debe emplearse en idiomas de alfabeto latino. En español se escribe Kiev desde la primera mitad del siglo XIX. Es transcripción del ruso, pues la ciudad casi siempre dependió de Rusia desde el siglo XVII hasta la independencia de Ucrania, en 1991. Después de esta llegaron la descomunización y la desrusificación. El proceso de ucranización se intensificó tras la invasión de Crimea y la guerra del Dombás. Unos por propia iniciativa y otros animados por el Gobierno ucraniano, muchos organismos y medios de comunicación en inglés pasaron de Kiev a Kyiv, la transcripción del nombre ucraniano de la ciudad. [...] La Academia considera que cuando un topónimo tiene arraigo tradicional en español, aunque provenga de un idioma puente —en este caso el ruso— y no de la lengua del territorio donde se sitúa el lugar nombrado, conviene mantenerlo para dar estabilidad al léxico toponímico. Así, por ejemplo, conservamos Bombay pese a que las autoridades locales oficializaron la forma hindi Bambai y la maratí Mumbai. O Rangún, aunque en Birmania se haya optado por la versión local Yangon. Sí se cambia el exónimo español cuando se trata de una denominación nueva y no del mero paso de la anterior a otro idioma. Así, hoy empleamos San Petersburgo y no Leningrado, o Burkina Faso y no Alto Volta, pues esos fueron verdaderos cambios de nombre» («El topónimo “Kiev”», Francisco Ríos, La Voz de Galicia, 19.03.2022, p. 18).

 

[Texto 16 209]

Léxico: «percutivo»

Relativo ou pertencente

 

     «O poeta Gastão Cruz morreu ontem, aos 80 anos, no Hospital Egas Moniz, em Lisboa. Nasceu em Faro em 1941, era licenciado em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e autor premiado de vários títulos de poesia e ensaio. Foi nos tempos de estudante universitário que começou a publicar em jornais e revistas. O seu primeiro livro, “A morte percutiva”, data de 1961» («Poeta Gastão Cruz morreu aos 80 anos», Jornal de Notícias, 21.03.2022, p. 44).

 

[Texto 16 208]

Léxico: «meteoropático»

Metade já está

 

      «Roland Barthes escreveu que “nada é mais ideológico de que o tempo que faz”. Pelo menos, desde o século XVII para cá, quando se estabeleceram as primeiras estações meteorológicas em várias cidades europeias, tendo então Florença como centro dessa embrionária rede de observação. Talvez isso tenha condicionado os tiques dos florentinos, que os outros italianos descrevem como meteoropáticos» («O poema da terra», José Tolentino Mendonça, «Revista E»/Expresso, 1.04.2022, p. 48). Porque meteoropatia («Alteração patológica provocada por condições atmosféricas ou climáticas») já tu tens, Porto Editora, mas apenas como termo médico.

 

[Texto 16 207]

Léxico: «eumelanina | feomelanina»

E não está tudo dito

 

      «“Há dois tipos de melanina», afirma Campos Lopes, director do Serviço de Dermatologia do Hospital da Luz, em Lisboa, «a eumelanina (responsável pela coloração escura) e a feomelanina (condiciona cabelo louro e/ruivo), e a percentagem relativa de cada tipo de melanina bem como a estrutura do cabelo variam em áreas geográficas. O cabelo escuro predomina no mundo, o louro no norte da Europa, o ruivo, mais raro, atinge 0,3% no norte da Alemanha e chega a 11% em áreas da Escócia”» («Cabelo nosso de cada crise», Christiana Martins, «Revista E»/Expresso, 8.04.2022, p. 43).

 

[Texto 16 205]