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Linguagista

«Timpanofonia»? Se tiverem a bondade de explicar...

Fatalidade

 

      Vejamos mais uma anomalia. Em autofonia, que apenas vamos encontrar no Dicionário de Termos Médicos da Porto Editora, diz-se que é sinónimo de timpanofonia — mas este termo não aparece em nenhum dicionário! Mais um caso de teratologia linguística ou pior do que isso? Não, não vai tudo para os dicionários, nada receeis: algumas até têm de sair.

 

[Texto 16 239]

Léxico: «reverso»

Não esta, não outras

 

      «As caraterísticas da moeda passam por, no anverso, estarem as legendas: “2022 Portugal”, “Circum Navegação” e “1519-1522”. Por seu turno, no reverso, há “a representação da nau Victoria, o único barco a retornar a Espanha após dar a volta ao mundo, comandado por Juan Sebastián Elcano, após a morte de Fernão de Magalhães em 1521”» («Moeda em homenagem a Fernão de Magalhães entra em circulação a 5 de maio e vale 7,5 euros», Ana Sousa, Observador, 29.04.2022, 15h10). Lê-se mesmo «circum navegação», eu vi... Em contrapartida, «conclusão», por exemplo, está bem escrito. E até «1522». Mas quanto ao dicionário: se a Porto Editora define bem anverso, desta específica acepção de reverso nem o mais esvanecido rasto. Aliás, faltam várias acepções.

 

[Texto 16 238]

Léxico: «angiogénico»

Mais próximo: «ansiogénico»

 

      Tem de haver sempre um erro qualquer, nem que seja um hífen a mais ou a menos. Diacho... «A investigação, conduzida com esse propósito, tentou identificar potenciais biomarcadores clínicos e tumorais de resistência e resposta do tumor no decorrer do tratamento anti-angiogénico» («Ordem dos Médicos do Norte distingue estudo sobre tratamento de tumor cerebral maligno», Observador, 29.04.2022, 19h25).

 

[Texto 16 237]

Léxico: «caniqueiro | carçoneiro | carçonense»

Encontros do Planalto

 

      Durante três dias, ouvi na sexta-feira no Portugal em Directo, na Antena 1, nas vilas de Argozelo e Vimioso e na aldeia de Carção decorreu uma série de actividades ligadas ao modo de viver judaico. O vice-presidente da Câmara Municipal de Vimioso, António Santos, entrevistado pelo repórter Afonso de Sousa, falou em algumas curiosidades sobre os criptojudeus da aldeia de Carção (onde foi presidente da Junta de Freguesia durante dezasseis anos), e nomeadamente nas actividades económicas a que estavam ligados. Foi neste ponto que disse que a estes marranos se dava o nome de caniqueiros, porque usavam fezes de cão para produzir cola — recorrendo também ao subproduto da intensa actividade de curtimenta que ali existia —, que vendiam para todo o Norte. A determinada altura, e ainda antes de se dirigirem para o Museu Judaico de Carção, o vice-presidente ofereceu um glossário de carçoneiro ao repórter. «Aparte de ser recueros o arrieros, los cristianos nuevos de Argoselo y de Carçao eran zurradores, por lo cual los labriegos les llamaban “caniqueiros”, ya que en su oficio usaban excrementos de perros» (Los judíos en la España moderna y contemporánea, Julio Caro Baroja. Madrid: Ediciones Istmo, 1978, p. 248).

 

[Texto 16 236]

Léxico: «neologizante | saiaguês»

Depois de «neologizar»

 

      «Nos primeiros relatos, as invenções lingüísticas de Guimarães Rosa atingem, em igual medida, o plano lexical e o gramatical-sintático. Alimentam-se de regionalismos, de arcaísmos de área isolada; mas também de latinismos (nisso repetindo o processo neologizante próprio de todas as criações cultas de línguas rústicas, do pavano de Ruzante ao saiaguês de Juan del Encina, Lucas Fernández e Gil Vicente), de empréstimos de outras línguas modernas (e aqui também é levada ao máximo uma tendência própria do português-brasileiro, antipurista ao extremo), de vocábulos eruditos introduzidos ironicamente numa trama insólita e por isso carregados de significados diferentes» (História da Literatura Brasileira, Luciana Stegagno Picchio. Editora Nova Aguilar, 1997, p. 607).

 

 

[Texto 16 235]

Arborismo, arvorismo, arborista...

Nos primeiros segundos

 

      Parece que há quem distinga arborismo de arvorismo. Nos primeiros segundos, até parece que é a opção da Porto Editora, pois em arborismo nada diz — nem remissão nem sinónimo — de arvorismo. Neste, porém, limita-se a remeter para aquele. E será mesmo que não se usa arvorista? Mistérios da língua.

 

[Texto 16 234]