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Linguagista

Léxico: «pau de pontos»

Essencial, mas fora dos dicionários

 

      «O “Viva a Ria” chegou às mãos do mestre Esteves “já todo podre”. Só lhe conseguiu aproveitar as “cavernas” (parte interna da embarcação). A mestria das suas mãos experientes tratou do resto. E o “pau de pontos” – uma ripa comprida de madeira que funciona como escala, onde estão apontadas, à mão, todas as dimensões e características da embarcação – deu a preciosa ajuda de sempre. “Sem o pau de pontos, não há barco”, garante António Esteves» («O rei da ria pretende ser Património da Humanidade», Salomé Filipe, Jornal de Notícias, 2.05.2022, p. 18).

 

[Texto 16 254]

Léxico: «direito de pernada»

Direito de primeira noite

 

      Então, se no Dicionário de Espanhol-Português da Porto Editora temos a locução derecho de pernada, que traduzem por direito de pernada (e devo confessar que fiquei surpreendido pela extensão do verbete); se no Dicionário de Francês-Português está droit de cuissage; se no Dicionário de Latim-Português está jus primae noctis; se... Sim, está bem, a Porto Editora ainda não tem dicionário de latim. Então, se, se, se, porque é que direito de pernada não está dicionarizado? São pontas soltas.

 

[Texto 16 253]

Definição: «solidéu»

Uma questão de cor

 

      Ao contrário do que se lê em alguns dicionários e do que em geral se julga saber, também os simples sacerdotes podem usar solidéu. O que varia é a cor: o papa, branco; os cardeais, vermelho; os bispos, púrpura; outros prelados e clérigos, negro. Obrigatório, em qualquer caso, é usar-se solidéu apenas quando se envergam vestes talares. Isto mesmo, que os sacerdotes podem usar solidéu, lembrou João Paiva na emissão de terça-feira passada do programa Que Mundo, Meu Deus!, na TSF. Agora é corrigir onde está mal.

 

[Texto 16 251]

Léxico: «rambóia | ramboeiro»

Ninguém a encontra...

 

      «Aos bandos, vindos das terras quentes do sul, chegavam mais rouxinóis, poupas cabeçudas, cucos bizarros e ramboias e pintarroxos tenores, que logo cantavam no alto dos galhos do bosque até há pouco adormecido» (A Vida Mágica da Sementinha, Alves Redol. Alfragide: Editorial Caminho, 17.ª ed., p. 24). Que belo trabalho de edição... E que compreensão das regras do Acordo Ortográfico de 1990... Isto numa editora. Bem, avancemos agora para os dicionários. Se me perguntaram (e foi uma professora de Português) que ave era esta rambóia, isso quer dizer que te falta defini-lo também como adjectivo, Porto Editora. E ramboieiro, que vejo aqui na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, que é feito dele?

 

[Texto 16 250]