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Linguagista

Léxico: «gato-bengal»

Até me parece que mais

 

      «Bengalesisnika Heartbreaker é o gato-bengal de Rui Fernandes mais premiado, pelo porte, padrão, cor de pelo e temperamento» («Gato-leopardo está na moda», Raquel Lito, Sábado, 28.04.2022, p. 79). Os dicionários apenas registam gato-de-bengala, mas é bem verdade que se vê cada vez com mais frequência gato-bengal.

 

[Texto 16 321]

Léxico: «estítico»

São mesmo duas

 

      «O que tenha de bens ou frua em rendimento — o herdado e o ganhado: se todo o meu dinheiro despendo em meu sustento, tão gordo morrerei, quão estítico e mirrado será p’ra o meu herdeiro meu magro testamento!» É estíptico ou estítico, mas a segunda variante só em dicionários bilingues da Porto Editora a vamos encontrar. Não, nada tem que ver com o Acordo Ortográfico de 1990: são mesmo duas variantes.

 

[Texto 16 320]

Léxico: «picador | picar | picagem»

Como específicos que são

 

      «No dia 13 de maio saímos para a picada para fazer a deteção de minas para abrir caminho para uma Companhia de Paraquedistas ir fazer uma grande operação para os preparativos de ataque à segunda base da Frelimo, a Base Limpopo, que foi tomada pela Companhia de Caçadores 2621 do Batalhão de Caçadores 2894 passado mês e meio. Andámos cerca de seis quilómetros atravessando dois pontões. Eu ia na frente da coluna do lado direito, do lado esquerdo ia um africano que se adiantou um pouco em relação a mim e do lado contrário seguia o meu colega Odílio fazendo segurança aos picadores e cantando uma canção que estava na moda em Portugal, mas com a letra adequada às circunstâncias do Ultramar: “Já arranjei tudo muito bem para o mato levar, a escova e o batom para me bronzear [conta António Pinto]» («“Caiu uma granada entre os meus pés e a cabeça do Odílio”», Marta Martins Silva, «Domingo»/Correio da Manhã, 15.05.2022, p. 26).

      Isso mesmo, estes picadores não os vamos encontrar nos nossos dicionários, que só acolhem os da tauromaquia. Creio, porém, que há mais coisas a precisarem de conserto. Não deviam registar-se acepções específicas nos verbetes de picar e picagem?

 

[Texto 16 319]

Léxico: «abjeccionismo | abjeccionista»

Que não fiquem de fora

 

      «O entrevistado é, agora, um escritor de tipo abjeccionista que, entre outras coisas, conta ao jovem entrevistador ter sido “colega de curso de Gomes Eanes de Zurara, num colégio de Messejana, que costumavam ambos faltar às aulas para ir às bananas e aos abacates numa quinta que era do pai do intendente Pina Manique (aquele dos automóveis)”!» (Ensaios sobre Mário de Carvalho, Maria de Fátima Silva, ‎Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa (coord.). Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2012, p. 133).

 

[Texto 16 318]

Esta língua...

Agora mudávamos tudo

 

      «A escritora [Paulina Chiziane] afirma que “a língua portuguesa que falamos hoje precisa de ser mais democratizada, precisa de ser mais humanizada. Há uma série de vestígios coloniais que estão dentro do livro que precisam de ser lavados, retirados até”. Mas também “o sexismo e vestígios de racismo”. Sobre o primeiro ponto, dá um exemplo prático: “a palavra herói: é um ‘homem considerado de elevada valentia, venceu batalhas’; ‘heroína, uma mulher de extraordinária beleza’. Quando li aquilo, pensei: ‘alguma coisa aqui não está bem!’» («“É preciso libertar os dicionários, o Portugal de hoje não é o mesmo de ontem”», Ricardo Alexandre, TSF, 14.05.2022, 11h25). Tantos defeitos tem esta língua... E onde leu isso, em que dicionário, sobre a palavra «heroína», pode saber-se? Ah, não vamos enfiar a carapuça.

 

[Texto 16 317]

Léxico: «Lua de sangue»

Se calhar está na hora, não?

 

      «Lua de Sangue não é o termo científico para este fenómeno, embora nos últimos tempos esteja a ser muito utilizado para se referir a um eclipse lunar total, dado que o astro exibe, geralmente, uma cor avermelhada» («E de repente a Lua ficou vermelha…», Marta Grosso e Ricardo Vieira, Rádio Renascença, 16.05.2022, 15h40). Olha, pois não, não é mesmo nada científico, mas anda por aí na literatura há umas boas décadas. E aqui ao lado: «Así que muchos gallegos madrugaron con la esperanza de contemplar la Luna de sangre acompañada de Venus, Saturno, Marte y Júpiter. Finalmente, las nubes impidieron disfrutar de todo el espectáculo astronómico, pero no de algún momento» («Las nubes dificultaron la contemplación del eclipse de Luna y la conjunción de planetas», La Voz de Galicia, 17.05.2022, p. 26).

 

[Texto 16 316]