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Linguagista

Léxico: «grafo»

Como a vida

 

      Na quinta-feira, ouvi, assim ao longe e brevemente, falarem sobre os equipamentos matemáticos recentemente instalados no Jardim do Campo Grande. Um destes equipamentos são as Sete Pontes de Könisberg, que constituem um exemplo da teoria dos grafos. Tomemos a palavra. Está no dicionário da Porto Editora, sim, mas a parte etimológica deixa um pouco a desejar: «Do francês graphe, “idem”». É verdade, está bem, mas podia dizer-se um pouco mais. Mais ou menos isto: «Do francês graphe, e este derivado do radical do grego γράφειν, “escrever”». Quanto à própria definição, também não custa nada reconhecer que a constante do DRAE é bem melhor: «Diagrama que representa mediante puntos y líneas las relaciones entre pares de elementos y que se usa para resolver problemas lógicos, topológicos y de cálculo combinatorio.» Em compensação (a vida não é toda assim?), a definição do Gran Diccionari de la Llengua Catalana é bem pior: «Ens constituït per un conjunt S d’elements i per un conjunt C de línies que uneixen els elements de S.»

 

[Texto 16 332]

Plural: «súper»

Ainda não está tudo bem

 

      «Nos primeiros quatro meses do ano, os portugueses deixaram 3324 milhões de euros nos supermercados, mais 2,1% do que em igual período do ano passado. Ou seja, mais 69 milhões de euros. Mas a tendência de crescimento acelerou a partir de março» («Gastos nos súperes com acréscimos de 69 milhões», Ilídia Pinto, Jornal de Notícias, 19.05.2022, p. 10). Demorou anos, mas já vão sabendo escrever a palavra. Agora, para tudo ser perfeito, só falta os dicionários indicarem o plural de súper. Só não: pelo menos no Diário de Notícias ainda têm aprender: «Famílias. Conta do super subiu em março e mais ainda em abril» (primeira página do mesmo dia).

 

[Texto 16 331]