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Linguagista

Léxico: «amarcial»

404

 

      Não é obsessão, mas, mal ele me disse que se considerava «apolítico e amarcial», já eu estava a verificar: pois, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não o regista. Quando se pesquisa, até dá um erro pouco comum num dicionário: 404. «A página a que tentou aceder não existe.» Por um pouco e fritava-lhe os neurónios.

 

[Texto 16 345]

Definição: «musicoterapia»

Logo a desgraça

 

      «E se os sons puderem ajudar a acalmar a dor? E se a melodia trouxer conforto para quem sobre há vários anos? E se o ritmo servir também como analgésico? No Hospital de Leiria, todos estes elementos se conjugam num laboratório de musicoterapia que recebe os doentes encaminhados pela Unidade de Dor. O projeto chama-se Dói Menor já ajudou mais de trezentos pacientes» («Os sons que acalmam a dor», Paula Sofia Luz, Observador, 8.05.2022, 21h26). Só não percebo porque afirma o dicionário da Porto Editora que a musicoterapia é o «tratamento de certas perturbações nervosas por meio de música». Vão logo para a desgraça.

 

[Texto 16 344]

Como se fala na rádio

Solomon Islands

 

      Foi notícia, por estes dias, que a China e as ilhas Salomão assinaram um acordo de cooperação militar. Ontem, Francisco Sena Santos, na sua rubrica Um Dia no Mundo, na Antena 1, disse que o acordo era com as ilhas Solomon. Sena Santos até costuma acertar, mas ontem escorregou um pouco. E é dos melhorezinhos... 

 

[Texto 16 343]

Léxico: «cheapflation»

Ainda pior

 

      Quando não cortam na quantidade, é na qualidade: «De la ‘reduflación’ a la ‘cheapflation’. La presión inflacionista hace mella en el bolsillo del consumidor, pero también lastra las cuentas de resultados de las empresas por unos costes en origen disparados. Para paliar el impacto, los españoles empiezan a elegir productos más baratos y se lanzan a aprovechar las promociones. Del lado de los fabricantes, no solo se suben los precios de venta finales; también se reducen algunos envases o se quita peso a determinados alimentos o bebidas, un fenómeno que se conoce como ‘reduflación’. Además, distintas fuentes aseguran que se empieza a aplicar en España la técnica de la ‘cheapflation’, un vocablo que mezcla los términos en inglés ‘cheap’ (barato) e ‘inflation’ (inflación) y que hace referencia a la práctica de ahorrar en costes, que consiste en sustituir las materias primas que conforman los alimentos y otros artículos por otras más baratas y de peor calidad» («La técnica de la 'cheapflation' o cómo abaratar los productos con ingredientes de menor calidad», Teresa Sánchez Vicente, ABC, 22.05.2022, p. 48).

 

[Texto 16 342]

Léxico: «reduflação»

Na Península Ibérica

 

      Durante o fim-de-semana, em vários meios, e não apenas portugueses, falou-se muito nisto, neste novo truque da indústria, designado por uma amálgama: «A Deco tem recebido denúncias sobre produtos que são vendidos ao mesmo preço de sempre, mas com menos quantidade na embalagem, por isso alertou os consumidores para estarem atentos ao preço por unidade. Sobre este fenómeno de “reduflação” (tradução literal do neologismo inglês “shrinkflation”), que consiste na diminuição da quantidade de produto, mantendo – ou mesmo aumentando – o preço, a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) não recebeu ainda quaisquer denúncias de consumidores» («Deco com  denúncias sobre venda de menos produto a preço igual», Jornal de Notícias, 22.05.2022, p. 11).

 

[Texto 16 341]

Léxico: «rebenta-minas»

E depois temos isto

 

      «Atrás dos “picadores” e das guardas avançadas ou de flanco, ia uma viatura rebenta-minas, normalmente pesada, primeiro as GMC e mais tarde as Berliet, carregada com sacos de terra sobre as rodas e no compartimento do condutor e no de carga, e dispondo por vezes de uma torreta blindada ou outros dispositivos que os militares portugueses improvisaram, como o enchimento dos pneus com água, o que tinha a vantagem de absorver boa parte da energia das explosões» (Guerra Colonial, Aniceto Afonso e ‎Carlos de Matos Gomes. Lisboa: Editorial Notícias, 2000, p. 406).

 

[Texto 16 340]

Léxico: «picador», de novo

Não é nada disso

 

      Voltemos um pouco atrás, de novo aos picadores na Guerra Colonial. É claro que a acepção dicionarizada pela Porto Editora não corresponde à que encontramos no excerto que citei.  «No caso de serem as minas a principal ameaça, a situação complicava-se e, de modo geral, a unidade organizava-se do seguinte modo: um grupo de “picadores” seguia à frente, a pé, procurando detectar as minas com uma fina vara de aço, a “pica”, ou, mais raramente, com detectores de minas, grupo que era, por vezes, protegido por outro que seguia nos flancos, de modo a evitar que esses homens sofressem ataque directo» (Guerra Colonial, Aniceto Afonso e ‎Carlos de Matos Gomes. Lisboa: Editorial Notícias, 2000, p. 406). Aliás, bastava lembrar que, por sugestão minha, a 18 de Setembro de 2020, já a Porto Editora acrescentara esta acepção a pica: «MILITAR, HISTÓRIA gíria vara de metal usada pelos soldados portugueses durante a Guerra Colonial (1961-1974) para detectar a presença de minas explosivas no solo». Se também se chama picador à «pessoa que, munida de catana, faca ou instrumento semelhante, abre uma picada (caminho estreito através do mato)», isso não sei. Ainda não sei.

 

[Texto 16 339]