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Linguagista

Léxico: «marca branca»

A ASAE ensina

 

      «Todas as grandes superfícies têm marcas próprias. É um fenómeno que não é específico de Portugal. As grandes cadeias têm, de há muito tempo, marcas de produtos que adquirem, mudando então o nome. Chamam-lhe os ingleses os BOB (Buyers Own Brand) e entre nós são conhecidas como marcas brancas» («Que Porto compramos nas grandes superfícies?», João Paulo Martins, «Revista E»/Expresso, 14.04.2022, p. 80). Aqui, a ASAE conta a história.

 

 

[Texto 16 353]

Léxico: «castelo | chave de cachimbo»

Uma acepção

 

      Uma não, várias. Porto Editora, bem podes fazer crescer (aldemenos para o dobro) o verbete da voz castelo. Acudiu-me isto à memória quando ontem me fiquei por vãos tentames para desatarraxar o castelo de uma torneira, que nem à mão de Deus Padre cedeu sequer um quarto de milímetro. Hoje à tarde vou comprar um maçarico e uma chave de cachimbo aberta com 16 mm, e o filho da #@$% já vai ver.

 

[Texto 16 352]

 

Léxico: «sociodiscursivo»

Vista aqui e ali

 

      «Quando se usar neste texto a expressão “Igreja católica”, no sentido sociodiscursivo mais comum, identificando assim a Igreja católica romana, restringe-se o qualificante “católica” a esse plano denominacional, fora de qualquer consideração acerca do substrato teológico ou doutrinal desse termo» (Religião em Portugal, Alfredo Teixeira. Lisboa: Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2019, p. 25).

 

[Texto 16 351]

Léxico: «gigafábrica»

Vão surgindo outras

 

      Primeiro, era apenas usada em relação às fábricas da Tesla, mas agora já não vai sendo assim: «Outra das premissas da Renault é tornar a sua cadeia de fornecimento mais verde e a logística mais eficiente. Nesse sentido, junto à fábrica de Douai irá nascer uma gigafábrica de baterias, fruto de uma parceria entre a Renault e a Envision, pelo que o fornecimento destes componentes fundamentais será simplificado a partir de 2024 – atualmente, as baterias são fornecidas pela LG Chem e as suas “caixas” vêm da Sérvia» («Renault reinventa berço dos automóveis para a era elétrica», Pedro Junceiro, Dinheiro Vivo, 22.05.2022, p. 14).

 

[Texto 16 350]

 

Definição: «carbonatação»

Uma letrinha insidiosa

 

      «“Estamos a trabalhar», afirma Tiago Oliveira, da Verso, «com processos com os quais nunca tínhamos trabalhado, como pasteurização e carbonatação. [Houve] muito estudo, muito teste, muito erro, muita lata a explodir. Mas tudo isto faz parte do crescimento”» («Wilson Pires e Tiago Oliveira. A pandemia levou-os a criar cocktails em lata que são versos de portugalidade», Mara Gonçalves, «Fugas»/Público, 14.05.2022, p. 9). Pois registas, Porto Editora, não há dúvida de que registas carbonatação — mas vê o que escreveste na segunda acepção. Será mesmo a «adicção de carbonato a»?

 

[Texto 16 348]

AO90, o mal alastra

Sabotagem?

 

      «[Ulisses, de James Joyce] É um romance dificílimo em termos de descodificação, mas maravilhoso na sua música, na sua verve, no seu tom ‘jocosério’, e quase sempre entendível ao nível da frase, nada que se pareça com o beco sem saída de outro Joyce, “Finnegans Wake” (1939), escrito numa novilíngua proibitiva. [...] Leopold Bloom encontra gente em lojas, igrejas, bibliotecas, tabernas, bordéis, funerais, e com elas discute teologia, política, obstetrícia, o “Hamlet”, o antissemitismo (Bloom é filho de um judeu húngaro): “Dizem que a Irlanda tem a honra de ser o único país que nunca perseguiu os judeus. (...) E sabe porquê? (...) Porque nunca os deixou entrar”» («Benefício de inventário», Pedro Mexia, «Revista E»/Expresso, 13.05.2022, p. 57). Mas Pedro Mexia não afiança e promete que «escreve de acordo com a antiga ortografia»? Seja como for, «jocosério» não está de acordo com nenhuma ortografia.

 

[Texto 16 347]

Léxico: «penitenciário-mor»

Então é importante

 

      «A figura do bibliotecário e do arquivista é peculiar na estrutura da Igreja. De todos os serviços que existem na Cúria Romana, só há dois que permanecem em funções quando morre um Papa: o penitenciário-mor, para perdoar os pecados; e o bibliotecário, para garantir a integridade da entidade documental» [afirma José Tolentino Mendonça]» («“A Biblioteca do Vaticano é uma espécie de pátria comum”», Francisco Pinto Balsemão, «Revista E»/Expresso, 13.05.2022, p. 88).

 

[Texto 16 346]