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Linguagista

Léxico: «messénio | Messénios»

Desaparecidos

 

      «O envio de um sacrifício e de um coro de homens a um santuário longínquo, mas certamente importante, pode ter sido motivado pela necessidade que os Messénios sentiram de apelar à proteção de um outro deus ou de afirmar, perante os outros povos gregos aí representados, a sua independência» (Mobilidade Poética na Grécia Antiga: uma leitura da obra de Simónides, Luísa de Nazaré Ferreira. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2013, p. 68). Porto Editora, ressuscita lá esta gente, ou ainda outra gente no-los dará como «Messenianos». Como aconteceu com os pobres Palestinos, afinal.

 

[Texto 16 413]

Léxico: «historicização»

Depois do verbo

 

      «No terreno dos direitos naturais, esta concepção teve como consequência a sua dessacralização e historicização, colocando-os não no princípio, mas no fim de uma evolução histórica, que envolvia o sujeito e as suas capacidades cognitivas e volitivas, e cujo aperfeiçoamento levaria à intensificação das trocas e das convenções dos indivíduos uns com os outros» (O Republicanismo em Portugal: da formação ao 5 de Outubro de 1910, Vol. 2, Fernando Catroga. Lisboa: Faculdade de Letras, 1991, p. 229).

 

[Texto 16 412]

Léxico: «excurso»

Parece-me que não

 

      «Na sua ânsia imponderada de aventura, Xerxes pôs em risco um império que levou gerações a conquistar: Dario pode facilmente fazer um excurso pelo passado que o precedeu, mas de que ele é também parte integrante (759-781)» (Ésquilo: o primeiro dramaturgo europeu, Maria de Fátima de Sousa e Silva. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2005, p. 79).

      Será boa ideia, Porto Editora, remeteres sem mais de excursoexcursão? Na minha mais ou menos modesta opinião (nada de excusatio propter infirmitatem), acho que não. Pelo que tenho visto com outros casos, conduzirá inevitavelmente a disparates, e temos obrigação (e, no meu caso, também interesse profissional) de, tanto quanto possível, os evitar.

 

[Texto 16 411]

Tradução: «calima»

Está

 

     «Aunque cueste creer que la calima —ese fenómeno meteorológico que dificulta la respiración, provoca unas sorprendentes lluvias de barro o incluso interfiere en el tráfico aéreo— tenga importantes beneficios para la tierra, pero lo cierto es que así es» («El polvo sahariano puede ser beneficioso para la agricultura», X. R. Alvite, La Voz de Galicia, 2.06.2022, p. 29). Entretanto, no Dicionário de Espanhol-Português da Porto Editora, nada mudou: calima é simplesmente «névoa». Que mais posso fazer? Nada.

 

[Texto 16 410]

Léxico: «celiaquia»

O verbete oculto

 

      «La publicación del libro Son Mariña! A historia dunha nena celíaca encabeza el catálogo de acciones desarrolladas por la Asociación de Celíacos de Galicia (Acega) con la colaboración de Supermercados Gadis. Se trata de un cuento dirigido al público infantil para que los niños conozcan y normalicen la celiaquía» («Gadis impulsa un cuento para normalizar la celiaquía», La Voz de Galicia, 2.06.2022, p. 26). A sorte que têm, já viram, disporem de uma palavra assim em vez de serem forçados a dizer «doença celíaca»... Esperem lá, nós também temos a palavra celiaquia — que a Porto Editora encafua, ciosamente, no Dicionário de Termos Médicos. Sinónimos dispersos por dois dicionários! Isto é não dar valor ao que se tem.

 

[Texto 16 409]