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Linguagista

Léxico: «sururu | efeito borboleta»

Eu não percebo

 

      «Irrompeu na Comunicação Social, a propósito da Liga das Nações da UEFA-2022/23, o inquietante topónimo ‘Chéquia’ para denominar o país geralmente conhecido como República Checa, forma que muitos nunca haviam decerto ouvido ou lido. O sururu ficou montado! E não, não é por acaso que escolho esta palavra que, no Brasil, nomeia os plebeus mexilhões, mas que por cá usamos para falar de confusões, desordens e conflitos. Nada como o futebol para, com uma simples palavrinha (qual efeito-borboleta da teoria do caos), gerar um grande sururu» («Chéquia e o sururu toponímico da atualidade», Margarita Correia, Diário de Notícias, 13.06.2022, p. 26). Não se percebe o uso do itálico na palavra sururu (verbete, diga-se, que a Porto Editora tem de ampliar significativamente) nem o hífen no conhecido (mas, estranhamente, ainda não dicionarizado) efeito borboleta. E a pontuação — não sou o sapateiro da historieta, posso dizê-lo — também não é irrepreensível do princípio ao fim. 

 

[Texto 16 472]

Definição: «micropénis | abonado»

Cá não tem mínimos

 

      «A pesar de ello, la mayoría de los penes tienen un tamaño normal. En flacidez oscilan entre los 8 y 12 centímetros y en erección alcanzan entre los 13 y 18 centímetros. Una regla para conocer aproximadamente el tamaño en erección es estirarlo durante la flacidez y apreciar cuánto alcanza. Los penes por debajo de 7,5 centímetros se denominan micropenes. Poseer un pene demasiado grande, en contra de la opinión general, es doloroso y frustrante para quienes lo padecen, como le ha sucedido a Napoleón o a más de una estrella del cine porno. Esa anomalía es lo que se llama macrofalosomía» («¿Es una ventaja tener el pene largo?», Venancio Chantada Abal, La Voz de Galicia, 12.06.2022, p. 15).

       Por cá, ou falta uma boa definição (micropénis) ou falta o próprio termo (macrofalosomía). Em suma, falta sempre qualquer coisa, neste malfadado país. (E a propósito: quando se diz, ou pergunta, como foi o caso daquela senadora australiana doidivanas, se Fulano é bem abonado, não o vamos encontrar nos dicionários. Enfim, são dicionários fora dos dicionários. Agora temos de ir carreando para lá alguns milhares, para compensar e até tentar superar tudo o que era expectável.)

 

[Texto 16 471]

Léxico: «multivítimas»

Ainda as confundem

 

      Não confundir com «multivitaminas»... «Por seu turno, Clélio Meneses, secretário regional da Saúde, que tutela também a Proteção Civil, revelou que já foram enviados para São Jorge “um reboque multivítimas, equipamento de busca e intervenção em estruturas colapsadas, detetores de soterrados, câmaras de buscas e equipamentos de estabilização”» («Possibilidade de erupção obriga a avançar com plano de evacuação», Salomé Filipe, Jornal de Notícias, 24.03.2022, p. 21).

 

[Texto 16 470]

Léxico: «hidroálcool | hidrálcool»

Há décadas e décadas

 

      Por vezes, as palavras estão mesmo à frente do nariz e nas mãos e não as vemos: estou a usar, nos últimos dias, um hidroálcool, um desinfectante de mão numa solução líquida, da Fapil (sim, é a empresa dos produtos de plástico, mas que tem agora também uma extensa lista de produtos contra a covid-19). Ora hidroálcool, ou hidrálcool, é palavra que já anda por cá há muito, mas muito tempo — mas não nos nossos actuais dicionários.

 

[Texto 16 469]

Etimologia: «metaverso»

Queremos mais, não menos

 

      «La culpa la tiene Mark Zuckerberg. A pesar de que el metaverso es un concepto que existe desde 1992, cuando el escritor Neal Stephenson usó por primera vez el término en su novela Snow Crash para describir un mundo virtual y distópico paralelo al mundo real, no se incorporó a nuestro vocabulario hasta que el fundador de Facebook no lanzó una presentación sobre lo que espera del internet del futuro» («El metaverso», Margaryta Yakovenko, El País Semanal, 5.06.2022, p. 16). Era bom que os dicionários indicassem esta etimologia.

 

[Texto 16 468]