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Linguagista

Léxico: «objeccionável | lucrativismo | lucrativista»

Venham de lá elas

 

      «Ademais, o que o sistema do salário tem de mais objeccionável, no sector do lucrativismo, é o ser ele fixado autoritàriamente, e não por meio de uma negociação democrática, em pé de igualdade, entre pessoas animadas por um ideal comum e baseada em considerações sobre dados do problema que sejam igualmente do conhecimento de todos, muito lealmente exibidos» (O Cooperativismo: objectivos e modalidades, António Sérgio. Lisboa: Sociedade Industrial de Tipografia, 1960, p. xxxv).

 

[Texto 16 493]

Léxico: «binómio»

A GNR sabe

 

      O «binómio poesia-prosa»! Vai lá falar assim com a Porto Editora. Para trinómio e quadrinómio não quero agora reflectir, estou a meio de uma tarefa complexa e delicada, mas é evidentíssimo que te falta uma acepção — e porventura mais utilizada do que as outras — no verbete de binómio. Ora pensa. Ou relê: O «binómio poesia-prosa»!

 

[Texto 16 492]

Léxico: «macro»

Até nos telemóveis

 

      Temos Macron, ou têm os Franceses, e temos mácron. O que não temos — ou não tem a Porto Editora — é macro como variante de mácron (que é isto: ¯, diacrítico que também devia ir, parece-me óbvio, para a definição no dicionário). Aliás, o verbete de macro está carecido de outra acepção presentíssima no nosso quotidiano: não se fala abundantemente, e não apenas na imprensa especializada, longe disso, na lente macro de tal ou tal telemóvel? E isto? «Segundo a Câmara de Lisboa, foi decidido “que será necessário avançar para um plano macro para toda a longa zona costeira e ribeirinha, procurando agilizar meios e autonomia que determinem o aumento da capacidade de intervenção de cada um dos municípios nestas áreas”. Atualmente, as três autarquias já têm projetos nestas áreas em andamento» («Lisboa, Oeiras e Cascais querem plano comum para as zonas costeira e ribeirinha», Ana Meireles, Diário de Notícias, 17.06.2022, p. 20). Então, tudo isto existe.

 

[Texto 16 490]

Léxico: «acautelamento»

Use-se sem hesitações

 

      É sempre interessante assistir a isto, a este processo: alguém usa, espontaneamente, uma palavra, mas no mesmo instante, julgando não existir, substitui-a por outra. Assim aconteceu com a ministra da Saúde, que, numa conferência de imprensa para anunciar um plano de contingência (muito vago), disse que ia haver «acautelamento das questões remuneratórias» — ai, não, «precaução das questões remuneratórias». Era como se tivesse um chip implantado no cérebro com o dicionário da Porto Editora e concluísse que o termo não está lá registado.

 

[Texto 16 489]