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Linguagista

Na marcha LGBT+

Gostei

 

      No sábado à noite, na televisão, vi um cartaz interessante na marcha LGBT+ (não estarei a esquecer-me de nenhuma letra ou símbolo?); linguisticamente interessante, quero eu dizer: «A tua opinião não faz o meu género.» Lá estava Catarina Martins. Não vi o Emplastro.

 

[Texto 16 500]

Léxico: «cânhamo | canábis»

O mesmo, ou quase

 

      «Já há perto de cem lojas que vendem produtos derivados do cânhamo, variante da canábis, em Portugal, com procura de todas as idades, desde os 18 anos aos idosos» («Há quase 100 lojas que vendem produtos derivados da canábis», Enzo Santos, Jornal de Notícias, 18.06.2022, p. 8). Será o cânhamo uma «variante» da canábis, como escreve o jornalista? Para a Porto Editora, cânhamo e canábis são a mesma coisa, basta ver a definição do primeiro: «BOTÂNICA designação comum às plantas herbáceas do género Cannabis, da família das Canabináceas; canábis». Não se trata da mesma planta — mas de espécies diferentes? E, sobretudo com relevância legal, distinguem-se pelas finalidades. O cânhamo industrial, que serve para fabricar diversos produtos, a começar em capachos, tapetes, etc., tem baixo teor em tetraidrocanabinol (THC), termo que vejo no Dicionário de Termos Médicos da Porto Editora, mas que me parece mal definido. Quanto à canábis, a sua finalidade medicinal está muito bem — o que o paizinho Estado quer é impedir o seu consumo recreativo.

 

[Texto 16 499]

Léxico: «patrulhão»

Sem as malfadadas

 

      «O Tribunal de Contas negou o visto ao contrato do Ministério da Defesa com a empresa pública idD — Portugal Defense, para esta desenvolver a gestão do programa de aquisição dos seis navios de patrulha oceânica (conhecidos como ‘patrulhões’), aprovado pelo Governo em junho de 2021, num investimento total de €352 milhões» («Tribunal de Contas chumba contrato da Defesa para os seis navios ‘patrulhões’», Vítor Matos, Expresso, 16.06.2022, 23h41). Ou, como deve ser, sem as malfadadas aspas: «Tribunal de Contas chumba compra de seis patrulhões» (Jornal de Notícias, 18.06.2022, p. 12).

 

[Texto 16 498]

Taclamacã ou Taclimacã

Há muito que o temos, e melhor

 

      «A linha ferroviária circular, em torno do maior deserto da China, o Taklimakan, está distribuída por 2712 quilómetros, uma vez que o troço recém-inaugurado foi integrado noutros três já existentes, de acordo com informação avançada pela empresa estatal China Railway» («Ferrovia circunda deserto», Correio da Manhã, 17.06.2022, p. 32). Estão agora a descobrir o mundo. Há séculos que se diz em português Taclamacã ou Taclimacã.

 

[Texto 16 496]

Léxico: «clássico»

Desde Aulo Gélio

 

      Quando agora Costa, na sexta-feira, respondeu que a oposição pedir a demissão deste ou daquele ministro já é um clássico (além de um pouco cansativo e sempre inútil), o que me ocorreu logo foi que nenhum dos nossos dicionários regista esta acepção de clássico. No caso do dicionário da Porto Editora (único de que me ocupo aqui — a tal «marcação cerrada» —, mas sei que o meu trabalho aproveita, e acho bem, até a dicionários no Brasil), a clássico como substantivo faltam ainda outras acepções.

 

[Texto 16 495]

Léxico: «manobrador | tapa-chamas»

E faltam outras, como veremos

 

      «Chega a vez de Yulia Harzyliuk, cabelos loiros ondulados por baixo de um gorro preto. Calças cor de azeitona e botas de atilhos. Ouve outra vez as explicações do instrutor e pega na Kalashnikov. Puxar o manobrador da culatra, que faz com que um novo cartucho entre no cano da arma depois de disparado o anterior, não é nada como nos filmes, Yulia não consegue à primeira» («O impossível de repente tornou-se possível», Anne Applebaum, «Revista E»/Expresso, 11.03.2022, p. 45). Se chegámos aqui, aproveitemos para falar de outro componente que também não encontramos nos nossos dicionários: «Estralejou uma discussão abafada entre dois vultos, por causa dum tapa-chamas. Uma voz fininha e aflautada de negro calcinha acusava um tal Mendes de lhe ter roubado o tapa-chamas da G3 na caserna» (Os Dias de Missirá, Manuel Lamas. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1991, p. 319).

 

[Texto 16 494]