Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Linguagista

Léxico: «celacantiforme»

Penúltimo do mês

 

       «Até à primeira metade do século XX, do celacanto apenas se conheciam registos fósseis, os mais antigos a remontarem ao período Devoniano, há cerca de 400 milhões de anos. De súbito, no Cretáceo Superior, as espécies celacantiformes, desapareceram dos registos fósseis, presumindo-se extintas no evento cataclísmico que eclipsou os dinossauros» («Celacanto, o espécime marinho ressuscitado após 60 milhões de anos», Jorge Andrade, Diário de Notícias, 27.06.2022, p. 15). (Não se registam melhorias quanto à pontuação. Tudo igual: mau.)

 

[Texto 16 536]

Léxico: «damisela | (jogo do) pilha»

Na literatura e na vida

 

      «Esses vêem, ouvem, palpam, cheiram, saboreiam e pertencem-se autonomamente, vivem relacionados com o exterior, podem beijar ou esbofetear, jogar ao pilha, trovar as estrelas ou a damizela romântica: podem tudo» (Monólogo em Elsenor: Túnica de Nesso; Memorial de Ariel, Tomaz de Figueiredo. Lisboa: INCM, 2007, p. 79). Do primeiro não digo nada, mas damisela é muito encontradiço na literatura.

 

[Texto 16 535]

Léxico: «tétrade»

O sentido geral

 

      «A última das quatro luas que formam a tétrade de 2014-2015 acontecerá a 27 de setembro – a chamada “superlua de sangue” (quando a Lua atinge o ponto máximo de aproximação da Terra)» («Judeus ortodoxos acreditam que lua de sangue mudará história de Israel», TSF, 24.09.2015, 12h31). Para a Porto Editora, é termo apenas da botânica, da citologia e da música. Ora, todos estes termos têm um sentido geral. Neste caso, designa um conjunto de quatro coisas.

 

[Texto 16 534]

A primeira dinastia acaba mal

Uma espécie de regicídio

 

      «Já viu», alerta-me o leitor R. A., «que a Infopédia diz que a primeira dinastia termina com o infante D. Fernando, filho de Afonso II, e não com D. Fernando, o Formoso!?» Agora já vi. Uma coisa é perderem-se palavras; outra, bem diferente, é darem sumiço a um rei, normalmente indivíduos bojudos e conspícuos.

 

[Texto 16 533]

Léxico: «subsector»

Não está no dicionário...

 

      «Estatísticas citadas pela Angop indicam que, em 2020, o resultado da produção do subsector de ouro foi de 1 887 onças, das 5 441 perspectivadas, do que resultou uma execução de 34,70 por cento» («Refinaria de ouro entra em construção», Jornal de Angola, 19.06.2022, p. 18).

 

[Texto 16 532]

Definição: «neguinho»

Ou estão a enganar-nos

 

       «O tricampeão do mundo, que é pai da namorada de Verstappen, usou um termo racista para falar de Lewis Hamilton num podcast. Mercedes, Fórmula 1 e FIA já condenaram as palavras de Nelson Piquet. [...] “O neguinho pôs o carro na direção errada e não deixou o outro piloto desviar-se. O neguinho pôs o carro na direção errada na curva. É uma curva muito acentuada, não há espaço para dois carros e não é possível pôr o carro ao lado do outro. Ele jogou sujo. Teve sorte porque só o outro é que bateu”, disse Nelson Piquet, campeão do mundo de Fórmula 1 em 1981, 1983 e 1983 e pai de Kelly Piquet, namorada de Verstappen» («Nelson Piquet usou termo racista para falar de Lewis Hamilton. Mercedes e F1 já condenaram o antigo campeão brasileiro», Mariana Fernandes, Observador, 28.06.2022, 12h23).

      Mau, mau... Só há uma explicação: Mercedes, Fórmula 1 e FIA sabem mais do que nós e os nossos dicionários estão a enganar-nos, pois não há ali nada de racista. Está bem que Nelson Piquet parece um boieiro analfabeto a falar, mas isso é outra história.

 

[Texto 16 531]

Léxico: «deixar passar carros e carretas»

Gralhas filosóficas

 

       Hoje lembrei-me daquela senhora, que provavelmente estará agora no Inferno (digo eu), que usava muitas vezes a expressão deixar passar carros e carretas. O dicionário da Porto Editora acolhe-a, sim, mas, graças a uma gralha, numa espécie de formulação linguística própria da filosofia: «sofrer tudo com indiferença, não se ralar, não-ser escrupuloso».

 

[Texto 16 530]

Definição: «epizootia»

Muito vaga

 

      Por coincidência, anteontem comecei a ler um livro de Dostoiévski no qual se usa a palavra «epizootia». Até agora, o que me parecia é que as definições de epizootia e enzootia no dicionário da Porto Editora eram demasiado iguais, quase a mesma coisa. Hoje, é apenas a definição de epizootia que me parece carecida de rigor: «VETERINÁRIA doença que ataca ao mesmo tempo muitos animais da mesma região».

 

[Texto 16 529]