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Linguagista

Léxico: «fueiro | alâmpada»

Entretanto, nos Açores

 

      Na mesma emissão do Portugal em Directo, na RTP1, em que falaram dos bolos lêvedos,  mostraram uma reportagem sobre o Desfile dos Fueiros, tradição que, passados mais de vinte anos, foi agora retomada. Pelas ruas de Ribeira Seca, vão desfilar fueiros e foliões para entregar as alâmpadas, arranjos florais com hortênsias e frutos da época, para que as pessoas tenham um ano de fartura. Os fueiros são homens que, a pares, vão com paus onde levam as alâmpadas penduradas. A igreja também é engalanada com as alâmpadas para a missa solene da festa, na quarta-feira passada.

 

[Texto 16 543]

Léxico: «governamentalidade»

Foucault, de novo

 

      «Enquanto prosseguia uma polémica sobre os metadados, uma matéria pela qual os cidadãos parecem interessar-se muito pouco, iniciou-se uma discussão pública que mobiliza professores e especialistas sobre como devem ser, e em que devem consistir, os novos programas de Matemática no ensino secundário. Segundo o que já foi divulgado, procura-se que os programas contemplem uma “Matemática para todos”, que forneça ferramentas de análise das realidades sociais, económicas e outras com que estamos confrontados. Defende-se assim, nesta proposta prévia, uma forte incidência na estatística. Tal opção é coerente e de uma grande racionalidade, quando a avaliados em função dos objectivos genéricos do novo programa em discussão, já que a estatística é o que determina hoje a gestão política, económica e social: a actual governamentalidade é eminentemente estatística Se quisermos outro nome para este novo tipo de poder, também lhe podemos chamar “governamentalidade algorítmica”» («A governamentalidade estatística», António Guerreiro, «Ípsilon»/Público, 10.06.2022, p. 30).

 

[Texto 16 540]

Léxico: «bolo lêvedo»

Não só na chapa

 

       Dizes, Porto Editora, que os bolo lêvedo é o «pão de trigo típico dos Açores, de formato achatado e sabor adocicado, feito com massa de farinha, ovos, leite e outros ingredientes, cozida sobre uma chapa quente». Na verdade, sobre uma chapa quente ou numa frigideira, o que era antigamente mais vulgar. E típicos dos Açores, sim, mas mais concretamente da Vila das Furnas. Actualmente, chegam cá a preço exorbitante.

 

[Texto 16 539]

 

Léxico: «escrever na água»

A mesma efemeridade

 

      Era o título da crónica que Augusto Abelaira assinava no semanário O Jornal, mas é coisa que já vem de trás, tornou-se proverbial como imagem da efemeridade e fugacidade — escrever na água. No dicionário da Porto Editora, só vamos encontrar uma expressão equivalente, escrever na areia. Cabem lá ambas. (Lê-se no epitáfio da campa de Keats: Here lies one whose name was writ in water.)

 

[Texto 16 538]