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Linguagista

Léxico: «desradicalizar | desradicalização»

Precisamos disso

 

      «Com a carreira dedicada ao estudo do extremismo político, Raquel da Silva [investigadora na área da Psicologia de Justiça e Política] diz que há hoje uma “vontade de policiar opiniões”. E questiona: “O que é ser radical? Estes conceitos — radical, radicalização, desradicalização — entraram no nosso discurso em relação à violência política muito recentemente e não há um consenso acerca da sua definição. No entanto, numas sociedades mais do que outras, parece haver vontade de policiar opiniões, daí a existência de tantas medidas de prevenção do extremismo no espaço pré-criminal. Acredito que algumas destas medidas são interessantes e importantes, especialmente em relação a trabalhar a resiliência dos jovens a narrativas de intolerância e ódio. No entanto, há outras que parecem ser direcionadas a comunidades, etnias e grupos religiosos específicos que nem podem respirar algo político e já estão a ser encaminhados para algum tipo de serviço de desradicalização. As pessoas, de todas as idades, credos ou etnias, devem ser livres de expressar as suas opiniões.”» («Método português de desradicalização: “O problema é político, não é religioso”», David Mandim, Diário de Notícias, 10.06.2019, 19h10).

 

[Texto 16 572]

Léxico: «regedoria»

Ainda hoje — mas em Angola

 

      «Francisco da Costa referiu que as sedes comunais de Kisseque e Dimuca carecem de infra-estruturas, desde escolas, hospitais e energia eléctrica a sistemas de abastecimento de água. “Com certeza o município está a crescer. Já não é o mesmo que era num passado recente. Mas é necessário ter em conta que o município não se limita apenas à sede municipal. Existem bairros periféricos, como a Aldeia e o Kawa Capim, que até agora não têm energia eléctrica. Os investimentos devem ser também canalizados para as regedorias e comunas”, disse» («Sobas defendem expansão do investimento público», Jornal de Angola, 26.06.2022, p. 23).

      De comuna ainda o dicionário da Porto Editora diz que a «subdivisão administrativa de um município, em Angola»; para regedoria tinha de haver igualmente uma acepção referida a Angola.

 

[Texto 16 571]

Léxico: «mourisqueiro»

Eu não escrevi «marisqueiro»

 

      «De facto, a celebração do S. João em Sobrado inclui fundamentalmente a pantomina dos “mourisqueiros” e “bugios” (cristãos), uns e outros trajando belas vestimentas coloridas sugerindo trajos dos séculos XVI e XVII, e consta de desfiles e danças de uns e outros, que se desenrolam durante todo o dia, e termina, ao fim da tarde, por um combate entre os dois grupos, cada qual de seu castelo» (Festividades Cíclicas de Portugal, Ernesto Veiga de Oliveira. Lisboa: Etnográfica Press, 2020, «Colecção Portugal de Perto», p. 231).

 

[Texto 16 570]

Léxico: «antiquariato»

Negozio d’antiquariato

 

      «De fora ficou o “leito Cadaval” que não encontrou aliás comprador, talvez – e em último caso – por ter começado a suscitar desconfiança entre o antiquariato de Lisboa, dado uma história então veiculada» (Hugo Xavier, «O percurso do “Leito Cadaval”, in O Leito de Prata dos Duques de Cadaval. Sintra: Parques de Sintra-Monte da Lua, 2020, p. 33).

 

[Texto 16 569]

Como se escreve por aí

Com que então colegas...

 

      «[Sócrates] Voltou a atacar o colega Carlos Alexandre ao falar novamente da violação do juiz natural. Uma questão a que regressa de forma amiúde, mas que os tribunais já decidiram não ter qualquer fundamento» («MP quer levar Sócrates à GNR da Ericeira», Débora Carvalho e Tânia Laranjo, Correio da Manhã, 1.07.2022, p. 8).

      Muitos cursos tem o homem. Este, o de Direito, foi-lhe conferido pelo benemérito Correio da Manhã. E o argumento não tem qualquer fundamento. Ou será nenhum fundamento, sabem?

 

[Texto 16 568]

Léxico: «cigarrinha-da-espuma»

Tens outras

 

      «Em causa está uma bactéria transmitida pelo inseto Philaenus spumarius (vulgarmente conhecido como cigarrinha-da-espuma), que se alimenta do xilema das plantas e cujo ciclo se inicia na primavera. A bactéria afeta um elevado número de espécies de plantas ornamentais e também espécies de culturas, como a oliveira, a amendoeira, a videira ou a figueira» («Bactéria perigosa para plantas detetada em Gaia e Feira», Jornal de Notícias, 27.06.2022, p. 21, itálico meu).

 

[Texto 16 567]

Léxico: «trota-conventos | supraterrestre | subterrestre»

Como as cerejas

 

      «Sem contar os tormentos físicos com que a Providência acode logo aos convertidos (v.g.: o cancrozinho na língua do mesmo Huysmans), aí caía eu nessa autêntica dança de S. Vito, inevitável aos papa-missas, aos trota-conventos, aos vomita-confissões...» (Carnaval Literário: (2.ª parte de Miscelânea), Manuel Teixeira Gomes. Lisboa: Portugália Editora, 2.ª ed., 1960, p. 117). E a propósito de conventos, e, logo, de religião, lembrei-me de outra que se escapuliu do dicionário da Porto Editora: supraterrestre. Já que perguntam, sim, também existe: subterrestre.

 

[Texto 16 566]

Léxico: «renomado | renomeado»

Ajudemos o pobre falante

 

      «Relativamente às comemorações dos 200 anos da independência do Brasil, ocorrerá um concerto, marcado pelos laços históricos entre os dois países, a Orquestra Sinfónica Portuguesa e o Coro do Teatro Nacional de São Carlos apresentam três obras notáveis de três dos mais renomeados compositores brasileiros» («14º edição do Festival ao Largo regressa a Lisboa», Diário de Notícias, 29.06.2022, 15h05). Está tudo certo. O que não está bem é renomado e renomeado, no dicionário da Porto Editora, não mostrarem remissões mútuas nem serem indicados como sinónimos.

 

[Texto 16 565]