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Linguagista

Léxico: «despedregar | despedrega»

Começa-se por aqui

 

      «A anta foi utilizada entre o calcolítico e o período romano até que, em 2017, durante uma acção de limpeza de pedras (despedrega), quatro esteios (colunas de granito) que suportavam a laje que cobria a entrada da câmara megalítica e antecâmara e o início do corredor de cobertura da anta foram quebrados pela base e outros arrancados. As colunas de granito foram levadas para um aterro de pedras localizado a cerca de 500 metros da anta, a qual ficou totalmente destruída» («Em 3500 a. C., as antas eram erguidas com engenho, paciência e esforço. Em 2017, bastou uma retroescavadora para destruir», Carlos Dias, Público, 21.06.2022, 7h03).

      Agora adeus, que tenho de ir estrear os meus Nike Air VaporMax Plus. Não para correr, evidentemente, coisa que acho desnecessária desde o Paleolítico. Caminhar. Ainda que em passo estugado, caminhar. Assim se vai ao longe.

 

[Texto 16 580]

Definição: «presúria»

Mas, por outras palavras

 

      Porto Editora, viste o enunciado do exame de História A do 12.º ano? Ah, não tens tempo... Uma das respostas múltiplas era relativa ao «recurso à presúria como estratégia de povoamento das terras». A pergunta não interessa. Defines assim o termo: «HISTÓRIA título especial a que eram concedidas aos nobres certas terras por eles conquistadas aos infiéis, durante a reconquista cristã e a formação territorial de Portugal». Com certeza haverá formas mais simples de explicar o conceito. «Tomar uma terra de presúria era ocupá-la com autorização do rei, em regra acompanhando o acto de certa solenidade em que a buzina e a bandeira eram os símbolos característicos» (Estudos de História de Portugal, Manuel Paulo Merêa. Lisboa: INCM, 2006, p. 143).

 

[Texto 16 579]

 

Léxico: «patilhão»

Anota aí

 

      «Em posições bem diferentes, de confronto, Costa e Montenegro vão ter de saber navegar à bolina: “Com ventos contrários, colocar as velas a seis quartas da proa (cerca de 45 graus) e, se for caso disso, avançar em ziguezague, com estabilidade no patilhão”, a quilha que impede que o barco adorne — e nós com ele» («Estabilidade no patilhão», Afonso Camões, Diário de Notícias, 5.07.2022, p. 9).

 

[Texto 16 578]

Léxico: «miúra»

Tudo verdades

 

      Em entrevista ao jornal espanhol ABC, esta semana, o médico e psicoterapeuta Antonio Ríos dizia que «viver com um adolescente em casa é viver com um miúra de 650 quilogramas, com dois cornos, que encontramos de repente no corredor de casa, correndo atrás de nós». Mas como é que o VOLP da Academia Brasileira de Letras acolhe o substantivo miúra e o dicionário da Porto Editora não o faz?

      Quanto ao fundo da questão, comungo inteiramente da opinião deste psicoterapeuta, até quando diz que as mães não se contêm e saltam para a arena com um trapo vermelho. Bons somos nós, os homens, os pais, sobretudo se tiverem, como eu, neste âmbito, um inigualável espírito contemporizador. Em nome de todos os homens, aceito os parabéns.

 

[Texto 16 576]

Léxico: «pré-seminário»

Precede o seminário

 

      «Afonso continuou “a refletir e a frequentar o pré-seminário” e, um ano mais tarde, juntou-se ao irmão. Nos dez anos de formação, família e amigos perceberam que os irmãos estavam a seguir “uma vocação e não uma profissão”» («Gémeos de Lisboa vão ser ordenados padres no mesmo dia», Emília Monteiro, Jornal de Notícias, 3.07.2022, p. 9).

 

[Texto 16 575]

Léxico: «chorão-das-praias»

Agora comestível

 

      «Sabia que o chorão-da-praia (Carpobrotus edulis), além de uma planta invasora, é comestível, desde as folhas (procure as mais tenras) ao fruto (fica por baixo da flor, quando esta atinge tons laranjas)? Ou que as pétalas da esteva têm um sabor adocicado?» («Da gastronomia ao mergulho, o Costa do Vizir quer ser um parque de campismo diferente», Mara Gonçalves, «Fugas»/Público, 21.05.2022, p. 17). Invasora, é verdade, mas comestível. Não, não sabia — nem a Porto Editora, pelo que pude comprovar. Ora, isto precisa ser trombeteado a todos os ventos, não acham?

 

[Texto 16 574]

Léxico: «guindal | guindalense»

Então sonhei

 

      «Outras escadas são denominadas dos Guindais. Temos também aqui um termo do mesmo género, pois guindal equivale a ginjal, “sítio plantado de gingeiras”» (Estudos da Língua Portuguesa, Vol. 2, Júlio Moreira. Lisboa: Livraria Clássica Editora A. M. Teixeira, 1913, p. 330). Eu até ia jurar que já tinha proposto a dicionarização do vocábulo guindalense, mas não. Parece que sonhei. Ou, explicação mais provavél, disse-o a alguém. E sim, guindal é sinónimo de ginjal. Aliás, também este é topónimo repetido pelo País. Não quero ir mais longe, mas, como também sugere Júlio Moreira, guinda deve ter sido também termo português.

 

[Texto 16 573]