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Linguagista

Léxico: «salutogénico | salutogenicidade»

Só no sector público

 

      «E neste contexto a OMS deixa um conjunto de recomendações precisas aos países, entre elas a implementação de medidas económicas de promoção do consumo de hortofrutícolas e de programas e campanhas que visem aumentar a literacia alimentar, a obrigatoriedade de esquemas de rotulagem nutricional na frente da embalagem dos produtos alimentares, a promoção de ambientes salutogénicos no sector público e a monitorização da prevalência do excesso de peso e da obesidade» («A saúde não se pesa», Maria João Bourbon, «Revista E»/Expresso, 3.06.2022, p.10).

 

[Texto 16 605]

Léxico: «nanomedicamento»

Sobram peças

 

      «Há uma revolução silenciosa em curso na área da saúde. Embora esta tenha começado há já várias décadas, nunca a nanomedicina teve um impacto tão evidente nas nossas vidas. Não acredita? Se recebeu pelo menos uma dose da vacina contra a COVID-19 da Pfizer/BioNTech ou da Moderna, então já “experimentou” um medicamento que incorpora nanotecnologia (nano-medicamento)» («Nanomedicina: a revolução que não se vê», José das Neves [investigador no Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto], Observador, 9.07.2022, 00h00).

      Na ciência sai sempre tudo certinho. Na língua, sobra ou falta sempre alguma peça: no caso, um hífen. Claro que a analogia só serve para a ciência.

 

[Texto 16 604]

 

 

Léxico: «cozer»

E continua a ouvir-se

 

      «Todavia, diz que “é muito difícil prever qual vai ser a quebra”. Tudo vai depender do impacto da meteorologia nas próximas semanas. E tudo aponta para que o calor que se sente esta semana já vá ter “efeitos de escaldão nas uvas”. Como diz o povo “os bagos cozem”» («Seca e calor vão fazer baixar produção de vinho do Douro», Eduardo Pinto, Jornal de Notícias, 12.07.2022, p. 21). Ah, o povo, o poboo bõo. O pior é quando começam a ter diplomas. Bem, no dicionário da Porto Editora não encontramos esta acepção de cozer, que, afinal, se usa desde sempre.

 

[Texto 16 603]

Léxico: «tomate-do-mar | morango-do-mar | anémona-verde | líquen-negro»

Por falta de verba...

 

      Passei quase a correr — ia com pressa para o Estoril — pela exposição A Lua e a Terra no Paredão de Cascais, organizada pela Câmara Municipal de Cascais e pelo NUCLIO (Núcleo Interactivo de Astronomia e Inovação em Educação). Ainda assim, consegui ver pelo menos três termos que não estão no dicionário da Porto Editora: tomate-do-mar (Actinia equina); anémona-verde (Anemonia viridis); líquen-negro (Verrucaria maura). Se calhar o texto foi verificado por não menos de meia dúzia de especialistas — mas, mesmo de fugida, ainda detectei dois erros: dava-se «actina» como sinónimo de «tomate-do-mar» (também conhecido como morango-do-mar) e escreveram «líquene-negro».

 

[Texto 16 602]

Léxico: «casa-barco | barco-casa»

Mas tem solução

 

      «Os egípcios chamam-lhe as awamat — casas flutuantes — e começaram a tornar-se populares no Cairo à época do Império Otomano e da dinastia de Mehmet Ali, no início do século XIX. Agora, as casas-barco edificadas sobre as margens do Nilo estão em risco de desaparecerem completamente. Os moradores afirmam que há vários anos que as autoridades fazem pressão para que estes arranjem outro local para viver» («O Egipto já destruiu algumas das históricas casas flutuantes do Nilo. E quer eliminar todas», Observador, 11.07.2022, 8h16).

      Eu nem queria acreditar, mas é assim mesmo: o dicionário da Porto Editora não acolhe casa-barco nem barco-casa.

 

[Texto 16 601]

Léxico: «presor»

De presúria já falámos

 

      Com o terreno já aplanado, avancemos: «Tornada obsoleta pela força das circunstâncias, a presúria não retirou, como é óbvio, aos descendentes dos mais antigos presores as terras por eles filhadas» (Évora na Idade Média, Maria Ângela V. da Rocha Beirante. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1995, p. 25).

 

[Texto 16 600]

Léxico: «macrodado»

O pequeno e o grande

 

      «Parece mentira, pero existe un sector sin paro, encima con los mejores sueldos en España. Es el área tecnológica y, dentro de ella, hay una especialización que está en auge: el big data o los macrodatos. Esta industria recopila, almacena y analiza el reguero de datos que generamos cada segundo, ya sea al subir una foto a Instagram o buscar dónde cenar» («Se busca experto en gestión de macrodatos», Paola Nagovitch, El País, 5.07.2022, p. 26). Microdado já tu tens, Porto Editora.

 

[Texto 16 599]