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Linguagista

Léxico: «mesoescala»

Mas não se esqueceram de «mesoeconomia»

 

      «O fenómeno meteorológico (chamado sistema convectivo de mesoescala) é mais comum nas zonas junto ao mar Mediterrâneo, mas aqui ter-se-á formado como consequência das altas temperaturas à superfície (44,1 ºC em Ourense) em combinação com ar frio em altitude — e poderá voltar a repetir-se, uma vez que a Galiza tem batido recordes de temperatura por estes dias» («Europa pode ter a onda de calor mais intensa desde 1757. Inglaterra, França e Alemanha também vão chegar aos 40 ºC», Vera Novais, Observador, 16.07.2022, 15.07.2022, 23h50).

 

[Texto 16 636]

Léxico: «tocoísta»

Desistir a meio

 

      «[Dom Afonso Nunes, bispo] Avançou que nos primeiros quatro anos da Independência Nacional, os fiéis da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo (Os Tocoístas) foram perseguidos impiedosamente pelo partido/Estado» («“JES salvou da morte milhares de tocoístas”», Ireneu Mujoco, O País, 15.07.2022, p. 11).

      Curioso, irritante, é que os nossos dicionários — incluindo o da Porto Editora — não se esqueceram de acolher o termo tocoísmo. Só que este trabalho tem de ser sistemático, tem de se registar tudo de uma vez. Não há razão para deixar as coisas a meio — salvo em caso de se sofrer um AVC, e pouco mais.

 

[Texto 16 635]

 

Como se escreve por aí

Ai-ai

 

      «Lá veio-um-ai-Jesus devido à prova final de ciclo (9.º ano). Desceram as médias de matemática e português. Mas isto é para levar a sério?! Provas que só contam para passar quem está em risco e de nada servem para os outros? Enfim» («Esquizofrenia», António José Vilela, Sábado, 14.07.2022, p. 42).

       Por vezes, o máximo que podemos fazer é tentar adivinhar o que certas pessoas pretendem dizer. No caso em apreço, tudo leva a crer que era isto: «Lá veio um ai-jesus por causa da prova final de ciclo (9.º ano).» Se não for isto, então não é nada.

 

[Texto 16 634]

Léxico: «cerrar fileiras»

De cerrar o punho

 

      «Um cidadão divulgou nas redes sociais mais esta pérola da ignorância bestial que atinge as redacções e estúdios de TV: em vez de ‘cerrar fileiras’, serrá-las! Com serra eléctrica? Um filme de terror cómico, é o que é esta ignorância bestial» («Notícias frescas», Eduardo Cintra Torres, «Boa Onda»/Correio da Manhã, 15.07.2022, p. 50). Claro que ajudaria se cerrar fileiras estivesse em todos os dicionários, o que não acontece. Implantes no cérebro também deve ser eficaz, mas a tecnologia ainda não amadureceu a esse ponto.

 

[Texto 16 633]

Léxico: «estorninho-comum | estorninho-europeu»

Ah, os comuns...

 

      «Quando finalmente descem para os seus poleiros nas copas das árvores, o bater das suas asas cria uma onda sonora cujo ruído ficou com um nome invulgar: murmuração de estorninhos. Este termo é exclusivo do estorninho-europeu, ou estorninho-comum, uma das aves mais abundantes – e adaptáveis – do mundo. Nativo do Reino Unido e também da Europa, o estorninho tornou-se uma espécie invasora nos EUA, Austrália, Nova Zelândia, Fiji, África do Sul e em muitos outros países onde, ao longo dos séculos, foi inadvertidamente ou propositadamente introduzido» («Estas aves voam em bandos hipnotizantes de milhares de indivíduos – mas é um mistério», Melanie Haiken, National Geographic Portugal, 7.04.2021, 16h02).

 

[Texto 16 632]

Léxico: «urostomia | urostomizado»

Corte, secção

 

      «Submetida a uma cirurgia — retiraram-lhe a bexiga, o útero, as trompas de Falópio, os ovários, gânglios linfáticos, parte do cólon, a uretra e parte da vagina — depende agora de um saco de urostomia para viver» («Tracey Emin e a mãe de todos nós», Isabel Coutinho, Público, 26.06.2022, p. 26).

      Se encontramos urostomia em alguns dicionários — mas não no da Porto Editora —, de urostomizado nem rasto. Claro que não é difícil acreditar que faltarão nos nossos dicionários muitos termos com o elemento de formação -tomia e derivados. Continuarei atento.

 

[Texto 16 631]

Léxico: «tétano | gram-positividade | gram-negatividade»

Procuramos um, aparecem três

 

      «O tétano é uma doença grave e potencialmente fatal que se pode prevenir. É causada por uma toxina produzida pela bactéria Clostridium tetani. Esta bactéria pode contaminar ferimentos mesmo pequenos. É encontrada no solo, no estrume e na superfície de objetos sob a forma de esporos, que são formas de resistência. Quando contamina ferimentos em presença de tecidos mortos, corpos estranhos e detritos, torna-se capaz de produzir uma toxina que atua em terminais nervosos, induzindo contrações musculares intensas» («Razões pelas quais deve ter a vacina do tétano em dia», Filomena Pastor [médica especialista em Medicina Geral e Familiar], «Classificados»/Jornal de Notícias, 16.07.2022, p. 1).

      Há margem para os dicionários melhorarem a definição de tétano. Para a Porto Editora, é a «doença infecciosa, grave, provocada pela acção de um bacilo e caracterizada por contracção persistente e dolorosa dos músculos de todo o corpo; tonismo». Sobre a bactéria, nada. Neste aspecto, é superada pela definição do diccionari.cat, que a define como a «malaltia infecciosa aguda provocada per Clostridium tetani, bacil anaeròbic i grampositiu, productor d’una neurotoxina». E a propósito de gram-positivo, não tens os vocábulos gram-positividade e gram-negatividade.

 

[Texto 16 630]