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Linguagista

Léxico: «voo parabólico»

É o que me parece

 

      «A partir da Base Aérea de Beja, 31 estudantes entre os 14 e os 18 anos participaram ontem num voo parabólico e experimentaram a sensação de gravidade zero. Levaram sonhos, promessas e até um astronauta a sério» («“Foi indescritível! Andámos a flutuar”», Teresa Sofia Serafim, Público, 17.09.2022, p. 44).

      O que me parece é que não é qualquer leitor que, vendo a definição de parabólico («1. GEOMETRIA relativo a parábola (linha); 2. GEOMETRIA que tem a forma de parábola») no dicionário da Porto Editora, compreenderá o que é um voo parabólico. Mas isto sou eu, pessimista, com a graça de Deus.

 

[Texto 16 942]

Léxico: «varroose»

Culpa da varroa

 

     «Nos apiários da escola agrária, estão lá umas pequenas placas com o tratamento para a varroose, uma doença da abelha melífera — responsável pela produção do mel — causada por um parasita [um ácaro, Varroa destructor]» («Em Trás-os-Montes, o que vem da terra já não chega para o gado e as abelhas», Cristiana Faria Moreira, «P2»/Público, 13.03.2022, p. 9).

 

[Texto 16 941]

Léxico: «resgatista»

Mas têm eles

 

      «El granelero que quedó varado junto a la costa de Gibraltar tras un accidente el pasado 29 de agosto está peligrosamente a merced de los temporales del Estrecho. La debilidad de la estructura tras el siniestro —está combado por la mitad— y los inminentes fuertes vientos de levante que se esperan para este domingo han llevado a la Autoridad Portuaria gibraltareña (GPA) a poner en marcha ayer un operativo para hundir controladamente la popa del OS35, la única zona que aún quedaba a flote. Con ello, los rescatistas esperan que el buque gane estabilidad, al quedar esa parte del mercante también posada sobre el banco de arena en el que la proa está encallada» («Gibraltar hunde la popa del buque siniestrado», Jesús A. Cañas, El País, 17.09.2022, p. 24). Não temos nós, mas no Brasil usa-se a palavra resgatista.

 

[Texto 16 940]

Léxico: «cavalona»

Sobretudo se são diferentes

 

      «Era uma mulher de uma altura imensa (o meu avô, seu irmão, tinha 1,90, o que era raro na época) e de quem pelos vistos herdei os genes, o que me complexava imenso na adolescência — a “cavalona”, “a mulher quer-se pequenina como a sardinha”, etc.» («As coisas (e as casas) que amamos», Ana Sá Lopes, Público, 18.09.2022, p. 32).

      Vamos ver se percebo. O dicionário da Porto Editora regista cavalão, e diz que é o termo coloquial para o «indivíduo muito alto ou corpulento». Não regista, ao contrário de outros, cavalona, o que se revela má opção, pois acolhe esta última acepção: «figurado, antiquado mulher alta com modos considerados pouco femininos». Primeiro: não se percebe como é que este tem sentido figurado (e antiquado?) e aquele é coloquial. Segundo: se diverge do sentido do masculino, porque não é levado para um verbete independente?

 

[Texto 16 939]

Léxico: «climatariano | salsifi»

Coisas novas

 

      «Isso porque o reino vegetal é muito interessante do ponto de vista de sabores inexplorados para muitos deles — durante muito tempo, os vegetais foram vistos apenas como “coadjuvantes” e a atenção que lhes era dada era pouca. Agora, com a pressão social por mais plantas no prato (dos vegetarianos aos climatarianos, que buscam uma dieta menos danosa ao clima), muitos são os restaurantes que trataram de incluir mais diversidade de pratos feitos com batatas, couves, beterrabas e salsifi — ou ainda criaram menus inteiros voltados a eles» («Será a sustentabilidade apenas vegetariana?», Rafael Tonon, «Fugas»/Público, 5.03.2022, p. 19).

      O dicionário da Porto Editora acolhe cercefi, mas não salsifi. Excepto num bilingue...

 

[Texto 16 938]