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Linguagista

Sequência pronominal «se o»

Por alguma razão a língua se nos entaramela

 

      «O livro tem uma pegada bem jornalística. Lê-se-o como se fosse uma série de longas reportagens. É bastante didático também. Oferece, por exemplo, explicações convincentes para o fiasco militar inicial dos russos, algo que me intrigava» («Novas guerras frias», Hélio Schwartsman, Folha de S. Paulo, 9.06.2024, p. A2).

       Hum, onde é que nós já vimos isto? Parece que foi noutra vida e noutro mundo, o que faz sentido. Lembremos o que diz o académico, gramático e linguista Evanildo Bechara na 39.ª edição da sua Moderna Gramática Portuguesa: «A língua-padrão rejeita a combinação se o (e flexões), apesar de uns poucos exemplos na pena de literatos: [...] “Cada coisa é uma palavra. E quando não se a tem, inventa-se-a.”»

 

[Texto 19 908]

Léxico: «fricalhada»

Também os temos

 

      «O Ju, o meu amigo fotógrafo, enviou-me umas imagens fantásticas que outra amiga dele, a fotógrafa Luisa Dorr, fez para a revista Vice. São retratos dos habitantes de Itabaianinha, município do Estado brasileiro de Sergipe, conhecida como a cidade dos anões, pela quantidade de adultos com menos de um metro e quarenta e cinco centímetros que ali vive. Dos quarenta mil habitantes, entre setenta a cento e cinquenta são anões — estão a ver a fricalhada de sítio» (Olho da Rua, Dulce Garcia. Lisboa: Companhia das Letras, 2022, p. 77).

 

[Texto 19 906]

Léxico: «sirumba»

Como se fosse nosso

 

      «— Jogámos sirumba, juntos. Não lembra? Éramos crianças, você e mais eu. Brincámos juntos, não recorda?» (Vinte e Zinco, Mia Couto. Lisboa: Editorial Caminho, 1999, p. 111). Um jogo tradicional infantil moçambicano? Bem, sendo assim, tem de estar nos nossos dicionários, até por o encontramos em várias obras.

 

 

[Texto 19 905]

Léxico: «biodistribuição»

Que é a fase mais decisiva

 

      «O grande objectivo da equipa é “levar isto até uma fase clínica” — ou seja, eventualmente desenvolver um tratamento que possa ser testado em humanos. Mas, até lá, há um passo intermédio “muito importante” que são os ensaios pré-clínicos, “em que se faz uma série de testes regulamentados pela Agência Europeia do Medicamento” — como os testes de toxicidade e biodistribuição (modo como afecta os outros órgãos) num outro modelo de mamífero como, por exemplo, a ratazana —, explica Liliana Oliveira [cientista do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto]» («Cientistas portugueses descobrem nova terapia para a sepsia», Filipa Almeida Mendes, Público, 11.06.2024, p. 27).

 

[Texto 19 904]