Ortografia: «séter»

Pêlo longo, sedoso e ondulado

 

 

      «Aconteceu que me deram um séter, demasiado mimoso para caçar em montes durienses. É bom para as narcejas, em terras lagunares. Mas, que fino bicho era o meu séter! Fidalgo de patas e de carnes, mas, com um nariz sublime» («Porque deixei de caçar», João de Araújo Correia, in Páginas de Caça na Literatura de Trás-os-Montes. Selecção de textos e organização de A. M. Pires Cabral. Lisboa: Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros e Âncora Editora, 2009, p. 38).

      Ora que boa ideia. Nenhum dicionário acolheu este aportuguesamento. Vejo-o apenas na infalível Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. João de Araújo Correia, caçador, achou-o melhor do que setter. Na literatura é mais encontradiço. Em Aquilino, por exemplo, como seria de esperar, encontramo-lo: «Ah, mas o Barzabu, o meu cão atravessado de séter e de rafeiro, cão plebeu, fino mas sem prosápias, tinha-se colocado à minha beira e não dava indícios de arredar» (Uma Luz ao Longe, Aquilino Ribeiro. Lisboa: Livraria Bertrand, 1969, p. 21).

 

[Texto 813]

Helder Guégués às 21:13 | favorito
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