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Linguagista

Sobre «crioulo»

Nova definição

 

 

      «Os Pretos de Pousaflores constitui, por isso, uma ficção ainda mais radical, na medida em que ao purgatório comum a todos os “retornados” se junta o facto de estarmos perante três jovens crioulos, filhos de Silvério, um português que vivia em Angola há quarenta anos quando, em 1975, achou mais prudente regressar à pátria [...]. Sendo tão portugueses como o louro Rui, são, porém, apenas “pretos”, quase alienígenas para os vizinhos e para a tia que os acolhe de má catadura» («Um eterno retorno», Jorge Marmelo, «P2»/Público, 13.12.2011, p. 3).

      Por aqui não se percebe bem, mas a sinopse é clara: «Agora, quase quarenta anos volvidos, Silvério está de regresso a Pousaflores. A guerra civil eclodiu em Angola e, se o seu coração é negro, a sua pele não engana e ainda ontem lhe mataram o melhor amigo. Com três filhos mulatos pela mão – todos de mães diferentes –, resta-lhe na aldeia uma irmã amarga, beata e com reumatismo.»

      Para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, crioulo (que tem, acima de tudo, uma acepção linguística) é o «indivíduo que, embora descendente de europeus, nasceu em país originário da colonização europeia». Não é uma definição equívoca? Descendente de europeus, à primeira vista, significa que ambos os pais, pai e mãe, são europeus, isto é, brancos. A ser assim, onde está a miscigenação a que o termo sempre se refere?

 

 

 [Texto 815] 

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