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Linguagista

«E o de marechal tem de ser pequeno»

Com sessões e cartazes

 

 

      «Vejamos então o que se passa no 1.º ciclo. O Francisco tem nove anos e está no 4.º ano de uma escola pública de Lisboa. Já estão a escrever segundo o acordo ortográfico? Diz que sim, e descreve uma sessão em que lhes foi apresentado um powerpoint com várias imagens mostrando as alterações que o acordo introduz. Se ele sabe algum exemplo? Sabe um dos que lê todos os dias nos cartazes que a professora colou nas paredes da sala: “Em Avenida Marechal Gomes da Costa, o ‘a’ de Avenida pode ser grande ou pequeno, e o de marechal tem de ser pequeno”, explica» («Este ano ainda será lectivo ou já será letivo?», Alexandra Prado Coelho, «P2»/Público, 17.12.2011, p. 8).

      Dito assim, até parece que o miúdo estava a troçar da jornalista: «Em Avenida Marechal Gomes da Costa, o ‘a’ de Avenida pode ser grande ou pequeno, e o ‘a’ de marechal tem de ser pequeno.» Claro que a jornalista não tinha obrigação de elucidar o rapazinho, tanto mais que trabalha num jornal que (ainda) não aplica as novas regras. Ainda, sim, porque a prazo essa posição, já o escrevi uma vez e repito, é insustentável. «A professora decidiu entretanto tirar os cartazes da sala por achar que era demasiada informação para ser dada de uma vez só». Muita e, a fazer fé na memória do aluno, alguma errada. Não é como ele diz. Está a amalgamar duas regras, por acaso afins.

 

[Texto 844] 

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