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Linguagista

«Auditório/audiência/público»

Conjunto de ouvintes

 

 

      «Já não estamos na ilha de Santo Domingo de la Hispaniola, já não haverá colonos no auditório, mas frei Antón de Montesinos voltará a subir ao púlpito e a criticar os espanhóis pelas crueldades que infligem aos índios. No próximo dia 21, às 21h30, Luís Miguel Cintra será frei Montesinos. E repetirá, na Igreja do Convento de S. Domingos, em Lisboa, o sermão que aquele frade dominicano pregou, faz nesse dia precisamente 500 anos, condenando com veemência a forma como os espanhóis tratavam os índios na ilha de La Hispaniola» («Frei Montesinos vai voltar a pregar contra a exploração dos índios», António Marujo, «P2»/Público, 17.12.2011, p. 10).

      Muito bem, auditório, conjunto de ouvintes. Nos últimos anos, na imprensa e mesmo nos livros, tem-se vindo a impor o anglicismo semântico «audiência». Que, já li, há quem defenda ter não sei que matiz que o torna insubstituível com o significado de «conjunto de pessoas que, num dado momento, assistem a um programa de televisão ou ouvem uma emissão radiofónica». Em Espanha, por exemplo, só entrou na 20.ª edição do DRAE, em 1984. Claro que, mesmo sem influxo estrangeiro, os vocábulos passam a significar algo diferente. Parlamento, por exemplo, que antes só significava «discurso» numa assembleia, hoje também significa a própria assembleia.

 

 [Texto 845] 

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