«Espiar uma pena»!

Caem em todas

 

 

      «O rapaz, agora com 31 anos, espia uma pena de homicídio qualificado no Estabelecimento Prisional do Funchal. O Supremo Tribunal de Justiça acaba de lha baixar de 19 para 17 anos, crendo-o “arrependido”, a viver “em sofrimento”» («O psicólogo que matou a amada», Ana Cristina Pereira, «P2»/Público, 21.01.2012, p. 8).

      Nas Reflexões sobre a Língua Portuguesa, de Francisco José Freire, lê-se: «Expiar e espiar têm notável diferença, e não se deve confundir a pronunciação do ex com a do es; porque expiar é reparar o desatino de um crime com acções satisfatórias. [...] Pelo contrário espiar é observar clara ou ocultamente o que se passa.» Uns anos antes, Madureira Feijó escrevera pouco mais ou menos o mesmo. Ou seja, é confusão que já vem muito de trás.

      Do Livro de Estilo do Público (que os jornalistas do Público, essa é que é essa, não lêem): «espiar / expiar — Dois verbos a não confundir: à família do primeiro pertencem espião, espia e espionagem; à do segundo, (bode) expiatório.»

 

 

[Texto 992]

Helder Guégués às 07:13 | comentar | favorito
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