Reforma ortográfica de pantufas

Dona Aspulqueta

e as infidelidades de Oscar

 

 

      Oscar Mascarenhas, provedor do Diário de Notícias, parece que não está nem a favor nem contra o Acordo Ortográfico. Parece, porque no meio de tantas palavras fica-se aturdido. «Ou segundo o Acordo ou segundo o desacordo. O DN que escolha. Com a brevidade que o serviço ao leitor exige.»

      «Tenho assistido – sem grande vibração, diga-se – à troca de opiniões, mais ou menos acaloradas, mais ou menos profundas sobre a questão do Acordo Ortográfico. Descaracterização da língua, submissão ao brasilês, com tudo se argumenta, até com o “matriotismo” obstinado do “foi assim que me ensinou a minha santa professora da escola primária”. [...] Pois é, não me venham com fidelidades às nossas professoras porque há muito que as traímos – eu sempre a contragosto – quando aceitámos uma outra reforma ortográfica, que veio de pantufas não sei quando e nos mandou deixar para trás o critério fonético da ortografia, partindo do princípio que “toda gente” sabe pronunciar as palavras, pelo que não é preciso estar com muitos rigores. Essa sim, foi a reforma que desfigurou a nossa ortografia – mas onde estavam os que deviam protestar e me deixaram (ainda hoje) vox clamantis in deserto?» («(Des)Acordo Ortográfico separa os “maquisards” dos vende-pátrias”?», Diário de Notícias, 21.01.2012).

      Afinal, por quantas reformas ortográficas passou Oscar Mascarenhas, que nasceu em 1949?

 

[Texto 996] 

Helder Guégués às 08:56 | comentar | favorito
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