Latim

Língua morta e remorta

 

 

      Tinha apenas, não nos iludamos, um valor simbólico, mas eis que o latim acaba de sofrer o derradeiro revés: desde 1 de Janeiro, quem descobrir uma nova espécie vegetal — e poderão estar 100 000 por descobrir — já não tem de incluir uma breve descrição, designada diagnose, em latim. Poderá fazê-lo em... inglês, a nova lingua franca. Assim foi deliberado no último congresso do Código Internacional para a Nomenclatura Botânica. Os nomes das plantas, contudo, continuarão a ser em latim — ou algo parecido, porque, como se sabe, é um nome qualquer com terminação latina.

       A maior oposição ao uso científico, nesta área, do latim provinha de investigadores de países não ocidentais, cujas línguas não têm raiz latina, mas, mais surpreeendente ainda, foi uma portuguesa, Estrela Figueiredo, quem mais se destacou nessa oposição.

     Rafael Medina, investigador em taxonomia e filogenia vegetal, explicou que há vários anos a língua usada nas diagnoses era, como facilmente se imaginará, uma versão simplificada e empobrecida do latim. «Digamos que o latim botânico está para o latim clássico como uma mensagem SMS está para Calderón de la Barca», escreve no seu blogue, Diario de un Copépodo.

 

[Texto 1015] 

Helder Guégués às 05:31 | comentar | favorito
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