«Five-dollar words»

Caro Paulo Rangel, se nos lê

 

 

      «Costumo ler», escreve-me Francisco Agarez, «com atenção os artigos de Paulo Rangel no Público, às terças-feiras. Acho-os inteligentes, estimulantes e globalmente bem escritos, pese embora alguma propensão para o “falar caro”. É rara a semana em que não tropeço num sinal dessa propensão. Hoje, por exemplo, escreve o articulista no parágrafo 2. do seu artigo [«Em defesa de mais liberdade para os deputados», p. 28]: “Alguns, mais maquiavélicos, chegaram a insinuar que se curava de uma manobra de facção, industriada por nostálgicos de Sócrates, que querem atrapalhar a liderança de Seguro.” É da minha vista ou nada autoriza esta utilização de “se curava” em vez de “se tratava”?»

      Eu não usaria, é o que posso dizer. E também noto essa escusada propensão — que tem cura. Faz-me lembrar uma personagem de um livro de um autor norte-americano que estou a ler: He also used the big words, the five-dollar words...

 

[Texto 1045] 

Helder Guégués às 11:54 | comentar | favorito
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