Sobre «bilíngue»

Bem lembrado, mas

 

 

      «A cedência à ortografia brasileira talvez faça vender alguns dicionários mas será altamente prejudicial para a aprendizagem da língua pelas futuras gerações de Portugueses da Europa, que já não precisam de ser desajudados. As profundas alterações introduzidas pelo presente “acordo” na ortografia portuguesa não são equivalentes à substituição do “ph” de “pharmácia” por “f”, pois esta alteração não afectou a fonética da palavra, como a supressão do “c” mudo afectará a pronúncia dos compostos do étimo “afecto” se este “acordo” for por diante. Ignora Rui Tavares o que aconteceu ao fonema “güe” na palavra “bilingüe” quando o trema foi suprimido em Portugal (o Brasil não nos acompanhou e fez bem)?» («Consoantes mudas ou colunistas surdos?», Manuel Villaverde Cabral, Público, 10.02.2012, p. 33).

      Bem lembrado. Aconteceu o que se ouve aqui no Prontuário Sonoro. Embora — diga-se — nada tenha que ver com consoantes, mudas ou palradoras. Tem que ver com uma reforma ortográfica e com a falta que faz este sinal gráfico, que em má hora foi eliminado da língua portuguesa.

 

[Texto 1085]

Helder Guégués às 10:47 | comentar | favorito
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