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Linguagista

Pedro Lomba e o AOLP90

Tem razão

 

 

      «Nunca alinhei especialmente nas brigadas pró ou contra a unificação da ortografia. Por falta de competência não iria acrescentar nada ao debate», escreve Pedro Lomba na sua crónica de hoje. Muitos leitores julgarão que isto é modéstia ou falsa modéstia, e bem pode ser, mas o diagnóstico está perfeito, como se comprova pelo que escreveu antes: «Como foi que surgiram entre nós os vocábulos ‘autoclismo’ e ‘retrete’, enquanto os brasileiros escolheram os termos ‘bombeiro’ e ‘privada’? Eu sei que a troika não trata destas coisas. Etimologicamente, aprendo no Houiass [sic], autós significa em grego “por si mesmo” e klusmós “acção de lavar”. Privada entrou mais tarde e sem este amparo clássico. É produto duma outra civilização» («Eterno desacordo», p. 40). Sobre bombeiro/canalizador, descarga/autoclismo, alvitra como o homem da rua: «O que posso dizer é que nenhum acordo de escrita entre Brasil, Portugal e a África lusófona irá erradicar estas diferenças de vocabulário. E muitas outras existem, como toda a gente sabe.» Pois é, mas como se trata de um acordo ortográfico, isso não interessa.

 

[Texto 1161] 

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