Regência de «necessitar»

Preposicionado, para mim

 

 

      «Era no tempo dos TLP, Telefones de Lisboa e Porto ou “companhia dos telefones” na descrição mais usual, e cada casa, ou melhor, cada assinante, tinha direito a dois volumes: um de páginas brancas (onde procurava familiares, vizinhos ou criaturas a quem necessitasse telefonar); e outro de páginas amarelas, onde se procuravam, por ordem de géneros e alfabética, serviços» («Música na palma da mão», Nuno Pacheco, «2»/Público, 18.03.2012, p. 39).

      A língua é a mesma, mas, em Portugal, o verbo «necessitar» (como o verbo «precisar», por exemplo) rege a preposição de, quer seja seguido de infinitivo quer de substantivo ou expressão substantiva ou pronome. Há, porém, quem defenda que a preposição é opcional. No Brasil, tanto pode ocorrer com preposição como sem ela, e o mais habitual é não aparecer preposicionado. Mas há quem diga, Luiz Carlos Lessa (na obra O Modernismo Brasileiro e a Língua Portuguesa), por exemplo, que «é erro frequente empregar-se também a preposição quando o complemento de precisar é um verbo: Precisar de falar... Em tais casos, o verbo não deve ter preposição: Preciso sair cedo...».

 

[Texto 1233]

Helder Guégués às 18:22 | comentar | favorito
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