Voltaram atrás?

Acordo e estatística

 

 

      Poucas vezes leio agora o Diário de Notícias, e por isso mesmo fiquei surpreendido: deixaram de aplicar as novas regras ortográficas! Parecia, pelo menos: no texto intitulado «França em alerta contra o assassino da ‘scooter’», assinado pelo jornalista Albano Matos, na página 2, lia-se «Sul de França», «director», «reacção»... O pior: o assassino praticou «os homicídios com sangue frio». O melhor: «Também o candidato socialista, François Hollande, apelou, já em Toulouse (a quarta maior aglomeração populacional de França) para “uma resposta comum e firme de toda a República”.»

      Ter-se-á o jornalista esquecido do Acordo Ortográfico? Não se sabe. O que se sabe é que poucas palavras seriam diferentes. Num romance que revi a semana passada, com 244 páginas, só 163 palavras tiveram de ser alteradas, e destas 39 (!) referiam-se ao nome das estações do ano e dos meses. Só 163, mas apenas 49 palavras diferentes. Assim, a palavra «proteção» repetia-se 23 vezes; «protetora(s)/protetor(es)», 11 vezes; «direção/direções», 10 vezes; «ato», 8 vezes; «ditração/distrações», 7 vezes. Palavras com ocorrência única eram 17.

 

[Texto 1241]

Helder Guégués às 22:02 | comentar | favorito
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